Pesquisa mostra que traficante é homem desempregado
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
O traficante que atua perto das escolas de São Paulo é homem, desempregado, solteiro, jovem e tem o primeiro grau incompleto. A maioria vende cocaína e crack. Estas informações constam do primeiro levantamento sobre o perfil social do traficante de drogas elaborado pelo Gape (Grupo de Apoio e Proteção à Escolas) do Denarc (Departamento de Investigações Sobre Narcóticos). O órgão foi criado em 97 para combater o tráfico nas proximidades das escolas municipais, estaduais, particulares e faculdades. O levantamento foi feito por iniciativa da delegada titular do Gape, Elizabete Ferreira Sato, que assumiu o órgão no início do ano passado e agora vai para o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), junto com o ex-diretor do Denarc, Jorge Miguel, novo chefe do departamento.
O estudo foi feito a partir de 70 entrevistas com traficantes presos pelo Gape entre janeiro e setembro do ano passado, que concordaram em prestar informações. Para a delegada, um dos dados mais preocupantes é que a maioria dos traficantes presos (66%) eram pessoas que tinham uma ocupação profissional e ficaram desempregados. Ela também chama a atenção para pessoas que, mesmo empregadas, usam o tráfico como uma forma de complementar a renda.
A maior parte dos traficantes entrevistados tem entre 22 e 30 anos (26%), seguidos pelos de 18 a 21 anos (22%). A grande maioria (77%) não concluiu o primeiro grau, e 64% disseram ser solteiros.
A maioria dos presos afirmou vender cocaína (55%) e crack (30%). Apenas 8% declararam vender maconha. Para a delegada, isso pode refletir um crescimento no consumo de cocaína e crack pelos estudantes, que segundo ela, ainda tendem a ter a primeira experiência com drogas com a maconha. Mesmo com o crack e a cocaína aparecendo como principais drogas comercializadas, a maconha ainda lidera o ranking de apreensões. Entre 17 de fevereiro de 97 a 29 de janeiro deste ano, foram apreendidos pelo Gape 84 quilos de maconha, 4,45 quilos de cocaína e 5,52 quilos de crack, além de barbitúricos e haxixe.


