Pesquisa mostra que prostitutas têm mais cuidados contra Aids
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de setembro de 2001
Lucia Martins 
Pesquisa do Ministério da Saúde revela que as prostitutas estão muito preocupadas com as doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. Feito entre 2000 e 2001 em nove capitais, o estudo mostra que 70% das entrevistadas disseram usar o preservativo regularmente com os clientes, índice muito superior ao registrado pela média da população feminina jovem quando se relaciona com parceiros novos (35%). Mas, segundo o levantamento, o percentual de prostitutas que usa preservativo com seus parceiros fixos (marido ou namorado) ainda é baixo e se aproxima muito da taxa do restante da população feminina (20% contra 22% do total de brasileiras).
As prostitutas também têm mais informação sobre as formas de transmissão da Aids. A grande maioria (98%) disse saber como evitar a contaminação pelo vírus HIV, que causa a doença. Nas demais mulheres, esse percentual é de 60%. Mais conhecimento leva a um maior número de testes de Aids: 42% das ''profissionais do sexo'', como foram chamadas no levantamento, fizeram o exame para saber se tinham o vírus, contra apenas 15% do total das brasileiras.
A pesquisa está sendo usada pelo Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde para mostrar o sucesso dos projetos de prevenção direcionados a populações vulneráveis. ''O ministério queria saber qual era a eficácia das ações de ONGs, e a pesquisa demonstrou que há um impacto positivo pelo menos no uso da camisinha'', afirma Kátia Guimarães, doutoranda da Universidade de Brasília e coordenadora do estudo.
O problema do baixo uso de preservativo é grave, pois é exatamente em mulheres casadas (ou que têm apenas um namorado) que a Aids mais cresce. E é esse o grupo mais difícil de ser atingido pelas campanhas de prevenção do Ministério da Saúde porque as mulheres se recusam a aceitar que, fazendo sexo sem camisinha com seus maridos ou namorados, elas podem estar correndo risco.
Gabriela Leite, coordenadora da Rede Nacional de Profissionais do Sexo, afirma que, nesse caso, a prostituta se comporta exatamente como qualquer outra mulher. ''É uma questão difícil porque envolve amor, fidelidade e machismo'', diz. Para tentar atacar o problema, a Rede está testando camisinhas femininas em um grupo do Rio de Janeiro. ''E estamos progredindo. Algumas estão gostando tanto desse novo preservativo que começaram a usar com seus parceiros.''


