São Paulo, 25 (AE) - A população eleitora de São Paulo vê muitos - e graves - defeitos na Justiça do Trabalho, mas é contra sua extinção. A Força Sindical encomendou a um instituto independente, o Cepac Pesquisa e Comunicação, uma pesquisa sobre o assunto e descobriu que 89% de 1.117 entrevistados acham que a Justiça do Trabalho deve continuar existindo, mas deve urgentemente passar por reformas. O trabalho revela, entre outras coisas, que os eleitores são críticos em relação a tribunais e juízes. Porém, mesmo insatisfeitos com o trabalho judicial, fazem questão de preservá-lo e desejam que seja aperfeiçoado.
Nada menos que 93% dos ouvidos consideram a Justiça do Trabalho importante para garantir os direitos dos trabalhadores. Contudo, 67% afirmaram que a instituição desperdiça recursos públicos. A maioria dos ouvidos (72%) a considera injusta: para 24% há favorecimento de trabalhadores e para 48% há favorecimento de empresários. Só 23% acreditam que é justa.
Relatório completo sobre a pesquisa, com quase 70 páginas, será usado pelo sindicalista e deputado federal Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP) para convencer o senador baiano Antônio Carlos Magalhães, do mesmo partido, a mudar de posição em relação à extinção do judiciário trabalhista. E está convencido de que conseguirá. A reunião entre ACM e Medeiros deve ocorrer na semana que vem, em Brasília.
Medeiros informou ainda que, mesmo antes de conhecer os resultados da enquete encomendada pela Força Sindical, e realizada nos dias 22, 23 e 24 deste mês, a maioria dos políticos da Executiva Nacional do PFL já estava convencida de que a destruição de uma justiça especializada nas relações entre capital e trabalho seria um erro estratégico do partido. Especialmente, lembrou, num momento de forte desemprego, aumento de ocupações precárias e da informalidade.
"O senador Antônio Carlos é um homem de bom senso e teve o mérito de discutir os problemas da Justiça no Brasil", disse Medeiros. "Acredito que ele entenderá que é um suicídio para o partido patrocinar a tese de extinção da justiça trabalhista, que vai tão na contra-mão da opinião pública."
O modelo de reforma que a executiva do PFL deverá propor ainda não está definido. Segundo Medeiros, há opiniões demais, por enquanto. "Nesse momento, estamos evitando polêmica para nos concentrar na defesa de um princípio, que é o de preservar a instituição", disse. Uma vez derrubado o parecer do relator da Reforma do Judiciário, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), que indicou a extinção da estrutura trabalhista no Judiciário, aí sim começarão os debates.

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