Brasília, 13 (AE) - O PFL está dividindo com o PT a bandeira do aumento do salário mínimo na grande São Paulo. Pesquisa realizada entre o dia 5 e sábado (08) pelo Instituto Vox Populi mostra que 95% dos entrevistados têm conhecimento do debate em torno do reajuste do salário e 84% sabem que o governo fixou o mínimo em R$ 151. Mas o que surpreendeu a cúpula pefelista foi a revelação de que 27% dos consultados identifica o partido com a luta por um reajuste maior.
"É a primeira vez que o PFL é identificado com uma luta de pobre", comemorou o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP), que divide a linha de frente da luta pelo mínimo de R$ 177 com o presidente do Congresso, senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Políticos da cúpula pefelista, como a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, acreditam que o resultado da pesquisa é um reforço à defesa de um mínimo maior que pode criar um confronto inédito entre o partido e o governo, no plenário do Congresso. A conclusão, que alegra alguns, preocupa a maioria.
Líderes pefelistas jogam todas as fichas num acordo com o governo para evitar nova batalha. O Palácio do Planalto também está empenhado em descartar o confronto. Mais que as dificuldades para negociar uma solução palatável do ponto de vista da equipe econômica, a fórmula esbarra na má vontade dos aliados do PMDB e PSDB, que apoiaram os R$ 151.
Tucanos e peemedebistas não querem ouvir falar da fórmula que combina inflação e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Aplicada às projeções deste ano, a sugestão do PFL para determinar os futuros reajustes do mínimo sem brigas na base aliada resultaria num aumento real de apenas 2,5%. Como o número é bem mais modesto do que os 5% de aumento real concedidos este ano pelo governo, não desperta resistências intransponíveis na área econômica. "Mas isso é uma fórmula prá inglês ver, que o PMDB jamais aceitará", sentencia o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
Roseana avisa que o partido deve levar o discurso em favor dos R$ 177 até o painel eletrônico de votação. "Não foi uma decisão impensada nem tampouco o discurso está sendo diferente da prática", afirma. "Se o Planalto não aceitar, que recorra ao veto e discuta com o partido se ele deve ou não continuar participando do governo", diz a governadora.
"Isso pode rachar o partido pela primeira vez no Congresso", avalia, preocupado, um dirigente nacional do PFL. Ele reconhece que, na falta de um acordo, o partido não poderá deixar de votar contra os R$151, mas afirma que não deverá fechar questão neste caso. "Não tenho a ilusão de achar que sairemos ilesos porque esta votação será massacrante", diz. Ele não tem dúvidas de que a pressão do governo virá de forma violenta e pragmática. "O primeiro argumento será o de que, sem o voto, não será liberado um centavo sequer das emendas ao Orçamento."
Medeiros não esconde do PT que prefere o acordo. Ele adianta que, se a tentativa de entendimento falhar, está preparado para "movimentar multidões e lotar os salões do Congresso" para pressionar os deputados. A pesquisa encomendada pelo partido mostra que a maior fatia da opinião pública não aceita o argumento do governo de que um aumento maior pode gerar alta de preços e a volta da inflação. São 52% os que preferem a tese de que o reajuste mais generoso estimula o crescimento econômico e colabora para melhorar o nível de emprego.
A pesquisa também coloca Medeiros no mesmo patamar do líder do PT na Câmara, Aloízio Mercadante (SP): 38% dos entrevistados sabem que o pefelista trabalha duro para aumentar o mínimo, enquanto somam 34% os que vêem o petista desempenhando o mesmo papel. Mas o melhor colocado nessa discussão é mesmo ACM: 45% dos consultados sabem que ele quer um mínimo superior aos R$ 151, o que o coloca à frente do próprio partido.

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