Pesquisa mostra que líderes parlamentares não são renovados
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quarta-feira, 02 de junho de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 03 (AE) - Mesmo com a renovação significativa de deputados federais nas últimas eleições, as principais lideranças no Congresso permanecem as mesmas. É o que constata uma pesquisa "A Elite do Congresso" feita pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep). Para esse levantamento, foram ouvidos 370 deputados. Questionados sobre quais seriam os cinco deputados federais e os dois senadores mais influentes, os parlamentares não inovaram na escolha de suas lideranças. Pelo contrário. Entre os 20 deputados e senadores mais citados, não aparece nenhum novato.
Na Câmara, o campeão é o presidente da casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), que tem 50% das citações, seguido de perto do líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), que tem 48%. Depois vêm o líder do PT, deputado José Genoíno (SP), com 37%. Já entre os senadores, o presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), aparece isolado em primeiro lugar com 56% das citações. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) é citado por 16% dos deputados e o líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), por 12%.
"A renovação dos líderes está acontecendo com muita morosidade", analisa o cientista político Walder de Góes, coordenador da pesquisa. O Ibep foi além neste levantamento, pesquisando também as principais lideranças do Congresso entre os convencionais do PFL e do PSDB, durante o mês de maio. Mesmo assim, os nomes não são muito diferentes da pesquisa feita entre os parlamentares. Entre os pefelistas, Inocêncio surge em primeiro com 57% das citações, seguido de Temer (25%), Genoínio 18% e do presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), com 10%.
Já os tucanos, colocaram na lista o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), com 44%, o líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), com 43%, e Inocêncio com 40%. Também aparecem bem posicionados entre os convencionais do PSDB, os deputados tucanos Antonio Kandir (SP) e Arthur Virgílio (AM). "Prefiro atribuir esse bom desempenho em todas as listas ao trabalho desenvolvido não só no PFL, mas em toda Câmara dos Deputados", avalia o deputado Inocêncio Oliveira, sobre o resultado da pesquisa.
Curiosamente, nessa pesquisa não é citado nenhum ex-governador eleito deputado nessa legislatura. Estão fora da lista nomes como o do deputado Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), Joaquim Francisco (PFL-PE), Waldir Pires (PT-BA), Alceu Collares (PDT-RS) e Max Mauro (PTB-ES).
Também não foi incluída nesse levantamento a líder do PSB na Câmara, deputada Luiza Erundina (SP), ex-prefeita de São Paulo. "Na Câmara, é necessário um tempo para a maturação do político e outro período para consolidação de sua liderança", observa Arthur Virgílio, que atualmente é líder do governo no Congresso. Mas segundo ele, a partir do próximo ano o nome de novas lideranças começarão a aparecer em listas de pesquisa.
Para o diretor do Departamento Intersindical de Apoio Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, numa lista como essa a escolha é feita exclusivamente pelo critério de "visibilidade" do parlamentar."Mas também é importante levar em conta a liderança de um deputado pela sua especialização em determinado assunto ou pelo cargo que ocupa na instituição", pondera Queiroz, lembrando que o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), que é presidente da CNI e líder do governo no Senado, jamais poderia ficar de fora de uma lista como esta.
Segundo o diretor do Diap, Inocêncio e Genoíno aparecem no topo da lista principalmente pela grande exposição na mídia dos dois parlamentares. "Os dois falam sobre qualquer assunto, o que é muito importante no mundo globalizado", observa Queiroz. Mesmo assim, ele prevê que novos nomes deverão ser incluídos nessas listas num curto espaço de tempo. Como exemplo, ele cita o senador Paulo Hartung (PSDB-ES). "Existe uma nova geração de parlamentares como Hartung, que possui uma boa capacidade técnica e ousadia política", aposta Queiroz.


