Pesquisa mostra que empresas esperam superávit da balança em 2000
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Milton F. da Rocha Filho 
São Paulo, 19 (AE) - Pesquisa conjuntural do BicBanco, envolvendo 210 companhias dos setores industrial, comercial, agrícola e de serviços, divulgada hoje, mostrou que as empresas esperam para 2000 um superávit na balança comercial de US$ 6,4 bilhões, que o dólar estimado para as operações no decorrer do próximo ano será de R$ 1,88 e que as importações deverão cair em 1,3% no mesmo período.
O estudo do BicBanco foi coordenado pela sua diretoria financeira, tendo a frente o economista Paulo Mallmann, e elaborado no terceiro trimestre, encerrado em 30 de setembro. As empresas estão confiantes com relação às vendas de fim de ano. Dessas empresas, 34,1% acreditam que serão maiores que as do ano passado, ao passo que 18,0% delas projetam vendas menores.
Na parte de comércio exterior, o estudo mostrou que 84 8% das empresas vão aumentar as exportações (Receita Cambial) em 2000, e que 33,6% delas irão aumentá-las em mais de 10%.
Enquanto isto, 15,2% empresas irão diminuir as exportações em 2000. "Ponderando-se os resultados, chegamos à estimativa de aumento de 14,4% para as exportações (Receita Cambial) em 2000"
conclui o estudo.
Um total de 31,9% das empresas exportadoras apontaram como 1,90 R$/US$ o piso mínimo da taxa de câmbio para concretizar suas metas de exportações. Este nível de taxa é a moda da distribuição (valor de maior frequência relativa).
"Ponderando-se as respostas, chega-se a uma taxa média nominal de câmbio de 1,88 R$/US$. Na pesquisa anterior, a taxa média era de 1,74 R$/US$", salienta a análise.
Cerca de 56,7% das empresas estão projetando crescimento do faturamento nominal em 2000 superior a 7,5% o que equivale a um crescimento real positivo. Somente 3,3% das empresas estão projetando redução do seu faturamento nominal em 2000.
Ponderando-se os resultados chegamos a uma estimativa de 8,8% de crescimento médio no faturamento nominal em 2000. Considerando uma meta de inflação de 6% para 2000, chegamos a uma crescimento real de 2,65% no faturamento do conjunto destes setores econômicos, para o ano de 2000.
No ano de 1999 a economia brasileira sofreu choques de oferta: desvalorização cambial, aumento no preço do petróleo e derivados, aumento de impostos e tarifas públicas. Estes choques aumentaram o custo das empresas. Qual foi a atitude tomada por sua empresa diante desta elevação de custos ? A grande maioria das empresas (62,4%) repassou parcialmente aos preços os choques de custos sofridos ao longo deste ano. Somente 11,9% delas conseguiu efetuar o repasse integral. Um total de 39,5% das empresas julga ser suficiente um repasse entre 5% a 10% nos seus preços para recomposição das margens de lucro. O percentual médio de repasse apurado é da ordem de 10,2%.
Uma quantidade de 139 empresas (66,2% da amostra) estão planejando repassar aos preços os aumentos de custos. Ponderando-se o percentual médio de repasse (10,2%) pela quantidade de empresas que estão planejando este repasse (66,2%) temos que o aumento esperado de preços para os próximos 12 meses é de 6,7%.
Outro dado interessante diz que34,3% das empresas não se utiliza de insumos importados. Vale lembrar que, na pesquisa anterior, este percentual era de 25,9%. A maioria das empresas (63,5%) não planeja a substituição de importações ao longo do próximo ano. Apenas 7,4% das empresas que se utilizam de importações, e que afirmaram que não irão mais substitui-las por produtos domésticos, encerrou este processo. Cerca de 66,3% delas informou que não existem substitutos no mercado doméstico e 17,9% citaram que, quando existem, a escala de produção deste itens não atende à demanda.


