Pesquisa mostra que 73,1% dos fumantes tentaram abandonar vício
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Gabriela Scheinberg (especial para a AE) 
São Paulo, 18 (AE) - Uma pesquisa com 700 fumantes no País revelou que 73,1% deles tentaram abandonar o vício. O estudo mostrou ainda que 69% querem fazer isso nos próximos seis meses. "Cada vez mais os fumantes estão entendendo que cigarro faz mal à saúde", explica o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, quanto maior o acesso à informação, melhor noção da questão o fumante terá. "As classes média e alta estão largando o cigarro, pois têm consciência de que o tabaco acelera a morte das pessoas."
Ele informa ainda que a tendência mundial é de que apenas os integrantes das classes mais pobres, por não ter acesso à informação, mantenham o vício.
De acordo com a pesquisa, realizada pela empresa Data Market Inteligência de Mercado, o número médio de tentativas dos entrevistados de parar de fumar foi três vezes. "Só a tentativa já é um passo importante", explica o psiquiatra. "Alguns temem a frustração de não conseguir e, por isso, nem tentam." Entre os que buscaram largar o tabaco sem sucesso, a maioria conseguiu ficar um mês sem fumar.
Por volta de 39,7% dos pesquisados consideraram essa decisão uma tarefa difícil, enquanto 30,6% a avaliaram como muito difícil. Os principais obstáculos citados pelos fumantes foram superar a dependência química e psíquica e ter força de vontade. Os fumantes que apontaram o abandono do fumo como muito difícil consideram a dependência da nicotina muito forte e usam o cigarro para se acalmar.
Cerca de 69% garantiram que querem parar de fumar no prazo de um semestre. "É preciso pôr essa vontade em prática", diz Laranjeira.
Muitos fumantes supervalorizam os efeitos adversos do abandono do cigarro - como a síndrome de abstinência, que provoca irritação e dificuldade de concentração -, o que torna a decisão mais difícil. "Todos esses efeitos são fisiológicos", explica. Por isso, segundo o psiquiatra, novos medicamentos estão sendo lançados, permitindo uma redução desses sintomas. Ele ressalta, no entanto, que os remédios apenas auxiliam. "Precisa ter muita vontade."
Segundo Laranjeira, 90% abandonam o vício sozinhos, mesmo que tentem várias vezes antes de conseguir. "Avalie qual é a melhor forma de parar de fumar", diz. Ele ressalta que, por exemplo, muitos fumantes fazem promessa e são bem-sucedidos. "Outros decidem de um dia para o outro largar o cigarro", diz.
Laranjeira dá dicas para ajudar os que querem "se divorciar" do tabaco, como, por exemplo, jogar fora o cinzeiro, evitar ambientes onde há fumantes e buscar atividades alternativas a esse hábito. Segundo ele, o importante é que a atividade reduza o desconforto criado pela falta do cigarro. "É preciso mudar o comportamento."


