Bauru, SP, 08 (AE) - Embora existam no País tecnologia e recursos para uma boa destinação do lixo, a falta de educação ecológica e de treinamento do pessoal encarregado do serviço torna o setor ineficente e problemático. A conclusão é de um grupo de trabalho do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), coordenado pelo professor Jorge Hamada, da Faculdade de Engenharia.
Nos últimos dois anos, ele colheu informações em usinas de compostagem, lixões, aterros sanitários e outros setores diretamente ligado ao lixo, em 20 localidades paulistas que visitou. Uma das constatações é de que o lixo coletado na cidade e depositado na periferia normalmente causa problemas sanitários e danos ambientais.Em nove dos municípios pesquisados o lixo é depositado a menos de 200 metros de cursos dágua. Em três, está dentro de buracos abertos por erosão e em outros dois ficam perto de rodovias, criando complicações diversas.
Nas estações de reciclagem, instaladas na virada dos anos 80 para os 90, a coleta de material reciclável - papel, plástico, vidro e metal - só são separados 35% do material reaproveitável, o que compromete a qualidade do adubo orgânico que, em vez de ser bom para o enriquecimento do solo, acaba trazendo problemas porque contém pedaços de materiais inorgânicos e até componentes tóxicos, como mercúrio, cromo, zinco e cádmio. Não havendo mercado, esse material permanece depositado sem nenhum cuidado nas próprias usinas até voltar à condição de lixo, ao mesmo tempo em que exala mau cheiro, chorume e favorece a proliferação de vetores de doenças.
Modelo - Outra constatação é de que na maioria das localidades o lixo é coletado de maneira uniforme, não importando se é proveniente de residência, comércio, indústria, serviços de saúde ou de outros setores. Tudo é posto num caminhão e vai para o mesmo lugar. Em alguns casos, até material resultante de coleta seletiva acaba na vala comum por falta de estrutura para reciclagem.
Segundo Hamada, embora em âmbito pequeno, sua pesquisa revela a situação da maioria dos municípios brasileiros. O professor lembra que o conhecimento técnico suficiente para resolver o problema do lixo está disponível e, paradoxalmente, os recursos já dispendidos pelas prefeituras seriam suficientes para estabelecer o manejo correto a ponto de evitar problemas sanitários e ambientais. Na sua opinião, o que falta é o estabelecimento de políticas para o setor que criem uma consciência coletiva sobre o problema do lixo, treine adequadamente os encarregados de sua manipulação e permitam a criação de instalações tecnicamente corretas.

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