Experiência no cargo, qualificação, conhecimento do idioma inglês e disposição para correr riscos são alguns dos itens que contam - e muito - para aumentar a remuneração dos executivos brasileiros. A idade, por sua vez, é uma inimiga da empregabilidade. É que um profissional com mais de 45 anos, que teoricamente tem mais conhecimentos acumulados de sua função, ganha o dobro do salário de um jovem executivo. Isso tem levado as empresas a optar por iniciantes na hora de contratar.
Essas são algumas conclusões da pesquisa realizada pelo Grupo Catho, de São Paulo. Segundo o matemático Renato Scher, gerente da qualidade do grupo, essa é a quinta edição da pesquisa e a primeira vez que as respostas foram organizadas levando em conta os cargos ocupados pelos executivos. Realizada quadrimestralmente, sempre nos meses de janeiro, maio e setembro de cada ano, desde a primeira edição, em janeiro/2000, a pesquisa coletou mais de 80 mil respostas.
Os resultados divulgados agora referem-se à pesquisa feita em maio, com 19.620 executivos. De acordo com o matemático, o método de pesquisa utilizado consegue explicar 80,75% da variação da remuneração dos executivos.
Uma surpresa da pesquisa, segundo ele, refere-se à remuneração das mulheres. Elas continuam discriminadas, recebendo 17% menos do que os homens para os cargos de presidência, diretoria, gerência e supervisão. Ser homem significa receber entre R$ 510,11/mês e R$ 849,88/mês a mais do que um profissional do sexo feminio. ''Mas as mulheres estão alcançando os cargos executivos mais jovens e em maior quantidade do que seus pares masculinos'', diz Scher, explicando que a mulher é promovida de dois a quatro anos mais cedo do que o homem. Com isso, a expectativa é que, aos poucos, essas diferenças salariais reduzam. ''Se contarmos essa situação, no conjunto a mulher está ganhando 4,34% menos e não 17%'', diz.
Outra conclusão é de que a idade influi de forma indireta, já que a experiência no cargo é mais importante do que o tempo de vida do executivo. Cada ano de experiência implica em aumento de remuneração que vai de R$ 251,26/mês para analistas e engenheiros a até R$ 665,00/mês para os presidentes.
Por outro lado, a cada cinco anos de vida o executivo se torna mais caro para a empresa, com aumentos que vão de R$ 289,40/mês a R$ 670,12/mês, dependendo do cargo. ''Comparando a idade com a remuneração anual, chega-se a conclusão de que o executivo maduro ganha mais que o dobro do que o executivo jovem'', diz. Isso explica a idade cada vez menor do quadro executivo das empresas, que preferem a mão-de-obra mais barata dos mais jovens.
Outro fator que está ao lado dos mais jovens refere-se à disposição para aceitar riscos. A cada 10% acrescido na remuneração variável provoca um aumento no salário que vai de R$ 63,75/mês a R$ 199,66/mês.
O matemático também recomenda aos executivos que invistam em suas carreiras. A fluência em língua inglesa pode até dobrar a remuneração, significando um aumento na remuneração que vai de R$ 461,16/mês a R$ 987,00/mês. Investir na própria educação também traz excelentes retornos.
Finalmente, a pesquisa mostra que empresas de grande porte remuneram melhor. ''Nossas pesquisas têm indicado que empresas com faturamento anual acima de US$ 100 milhões são as que mais bem remuneram os seus profissionais'', diz Scher. Dividindo as escalas de faturamento em quatro faixas: acima de US$ 100 milhões, entre US$ 50 e 99 milhões, entre US$ 15 e 49 milhões e abaixo dos US$ 15 milhões, cada mudança de patamar nesse quesito representa um aumento na remuneração que vai de R$ 442,40/mês a R$ 1.029,33/mês.

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