Brasília, 13 (AE) - Apesar de ter uma maioria segura na Câmara, os deputados estão avaliando negativamente o desempenho do presidente Fernando Henrique Cardoso na administração da crise financeira e do próprio governo. É o que revela uma pesquisa inédita feita pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep) com 370 deputados federais proporcionalmente divididos entre todos os partidos e Estados do País.
Com uma margem de erro nula, essa pesquisa surpreende pela péssima avaliação do presidente, mesmo com uma base de apoio folgada na Câmara. Pela pesquisa, apenas 30% dos deputados consideram o governo bom ou muito bom, enquanto 47% avaliam o desempenho do governo como sendo ruim ou péssimo.
Em relação à atuação do presidente Fernando Henrique Cardoso na gestão da crise financeira, o desempenho é ainda pior. Apenas 23% dos parlamentares entrevistados avaliaram sua atuação como boa ou muito boa, contra 47% que consideraram o presidente ruim ou péssimo no comando desse episódio.
"Essa é uma avaliação muito negativa do governo e do próprio Fernando Henrique, o que mostra um momento de grande fragilidade do presidente", constata o cientista político Walder de Góes, coordenador dessa pesquisa. Segundo ele, a avaliação do governo é um pouco melhor do que a avaliação do presidente, até porque nessa pergunta o deputado levou em consideração os quatro anos do primeiro mandato.
"Existe um entendimento de que o governo foi competente na primeira parte do governo, e isso pesa numa avaliação final de seu desempenho", atesta Góes. "Já em relação à crise cambial, existe um consenso do modo desastroso com que o assunto foi tratado", completa o cientista político.
Mesmo na base aliada, o resultado dessa pesquisa não é contestado. "Esses números retratam os piores e mais difíceis momentos do governo", reconhece o vice-líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). "Mas esse é um retrato do momento, em que a opinião da Câmara está influenciada pela crise de desemprego crescente no País", avalia ele, apostando que essa crise será superada no segundo semestre, o que irá refletir também na avaliação do governo pela Câmara.
Oposição - Já a oposição, vê na pesquisa a comprovação de um grande descontentamento dos parlamentares com o governo. "Três fatores são responsáveis por esse descontentamento: uma crise ética entre os principais integrantes do poder; uma deficiência de governabilidade; e a falta de uma política social", observa o líder do PT na Câmara, deputado José Genoino (PT-SP).
"É comum ouvir entre os deputados da base aliada a cobrança de que tem que votar com o governo porque é uma obrigação", comenta o petista. "Essa obrigação está irritando cada vez mais os governistas", revela Genoino.
Concessão - Outro dado curioso na pesquisa é que a maior parte dos deputados acha que para solucionar a crise o governo deveria fazer concessões à oposição. Do total dos entrevistados, 61% acham que é necessário, contra apenas 22% que acham o contrário. "Esse é o reconhecimento de que precisa envolver a oposição para a criação de um pacto de interesse nacional, nesse momento de fragilidade do País", observa Góes.
O deputado Genoino vai além. "A oposição vem perdendo todas as disputas no enfrentamento com o governo nos últimos quatro anos, mas isso acabou nos dando credibilidade", comenta o líder petista, lembrando que hoje já existe um reconhecimento de que a oposição está com a razão em várias de suas teses.

mockup