Pesquisa mostra empate entre Lagos e Lavín Tatiana Bautzer, enviada especial
Santiago, 13 (AE) - Uma pesquisa eleitoral divulgada hoje (13) pelo instituto britânico Market and Opinion Research International (Mori), que atua no Chile, mostra empate técnico entre os dois candidatos à presidência, Joaquin Lavín, da oposição de direita, e Ricardo Lagos, da coalizão governista de centro-esquerda.
Foram entrevistadas 1.200 pessoas entre os dias 3 e 10 de janeiro, distribuídas por localidades que abrangem 70% do país. A diferença entre os dois candidatos ficou abaixo de um ponto percentual, com ligeira vantagem para Ricardo Lagos.
Como a diferença entre os dois candidatos foi inferior a 3 pontos percentuais, que é a margem de erro da pesquisa, o instituto não divulgou os percentuais obtidos por cada candidato na pesquisa de intenção de voto.
Num comunicado divulgado à imprensa, o instituto afirma que para dizer com certeza quem está à frente teria que ser feita uma pesquisa com alcance muito maior que tivesse margem de erro de menos de 1%.
O Mori fez mudanças em suas amostras depois de ter errado nas pesquisas para o resultado do primeiro turno, realizado em 12 de dezembro. A estimativa do instituto era de que Ricardo Lagos venceria por 6 pontos percentuais de vantagem, ou 420.000 votos, com 48,6%, enquanto Lavín teria 42,1%. Na realidade, Lagos teve apenas 0,44% de vantagem sobre seu oponente, o que corresponde a pouco menos de 35.000 eleitores.
No primeiro turno, Lagos obteve 47,96% , ou 3,383 milhões de votos; Lavín obteve 47,52% , ou 3,352 milhões de votos. O eleitorado no Chile é de apenas 8,084 milhões de pessoas, das quais 7,271 milhões votaram no primeiro turno.
A terceira classificada no primeiro turno foi Gladys Marín, do Partido Comunista, com 3,19%, ou 225.000 votos. O instituto afirmou que a amostra anterior estava distorcida e foi ajustada com a participação de consultores estrangeiros e chilenos.
Além de confirmar a percepção de um segundo turno acirrado, a pesquisa também mostra algumas conclusões interessantes sobre o processo eleitoral. Quarenta por cento dos entrevistados acreditam que há pressões para votar em determinados candidatos. Vinte e sete por cento acreditam que a pressão vem da oposição ou de empresários e 12%, que a pressão está sendo feita pelo governo.
Nove por cento dos entrevistados acreditam que o voto não é secreto e outros 9% afirmaram que decidiram seu voto no primeiro turno no dia da eleição. Entretanto, 76% já tinham decidido em quem votar antes do início da campanha eleitoral.
A televisão está tendo um papel importante para os eleitores chilenos. Setenta por cento dos entrevistados afirmam estar acompanhando a campanha pela tevê e 43% afirmam que a tevê traz a informação mais relevante para decidir sobre qual candidato votar. Amigos e parentes influem na decisão de voto de 15% dos entrevistados.
A imprensa escrita é apontada por apenas 8% dos entrevistados como fonte de informações para decidir o voto. Algumas respostas dos entrevistados evidenciam que alguns jornais são associados como favoráveis a um ou outro candidato.
Os institutos locais de pesquisa, Gemines, Cerc (Centro de Estudos da Realidade Contemporânea) e CEP (Centro de Estudos Públicos), decidiram não divulgar pesquisas eleitorais para o segundo turno. No CEP, informa-se que o instituto não fez pesquisa para o segundo turno porque só faz duas sondagens por ano, uma em março e outra em setembro, e não estava programada pesquisa para janeiro.
O diretor do Cerc, Carlos Huneeus, admitiu que não pôde fazer a pesquisa de opinião no segundo turno porque houve erros na amostra da pesquisa do primeiro turno que não puderam ser corrigidos a tempo para o segundo turno.
"Havia muito pouco tempo para revisar a metodologia de nossa amostra, que mostrou ter subestimado a votação de Joaquín Lavín no primeiro turno", disse o diretor do instituto.
Segundo o diretor, não houve tempo para fazer uma segunda pesquisa. A previsão do instituto para o primeiro turno era de que Lavín teria 42% dos votos, uma diferença de mais de 5 pontos em relação à votação real. O instituto Gemines também informou que tomou a decisão de não fazer pesquisa no segundo turno.





