Luciana Pombo
De Curitiba
Uma pesquisa divulgada ontem pelo Grupo Dignidade – entidade de apoio a homossexuais – mostra que o curitibano tem poucas informações sobre o atual perfil da aids no Brasil. Foram ouvidas 464 pessoas, durante o mês de novembro, com idades entre 13 e 47 anos. Destas, 55,6% acreditam que os grupos de risco (homossexuais, prostitutas e usuários de drogas injetáveis) têm mais chances de se contaminar com o vírus HIV. ‘‘As pessoas ainda não se conscientizaram de que a doença está entre os heterossexuais e aumenta entre as mulheres’’, argumentou Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade.
A pesquisa demonstra ainda que 56,5% das pessoas acreditam que a fidelidade é uma forma de se prevenir contra a aids e 58,7% acham que diminuir o número de parceiros sexuais também ajuda no combate à doença. No entanto, 60,8% dos entrevistados tiveram dois ou mais parceiros sexuais durante o último ano. ‘‘Existe uma contradição básica na pesquisa. As pessoas sabem que estão sujeitas à aids, mas não se previnem’’, afirmou Reis.
A desinformação sobre as formas de se contrair a doença assustou os organizadores da pesquisa. Um total de 28,1% dos entrevistados disse que a aids pode ser contraída através da saliva, urina ou do suor. Uma das declarações registradas na pesquisa demonstra que ainda existem pessoas que acham que o beijo pode ser portador do vírus da aids. ‘‘O problema da aids não é somente do governo, é também das entidades civis, associações de bairro, escolas. Cada um tem que fazer sua parte e divulgar os riscos da doença e as formas de prevenção’’, declarou Reis.
A amostragem feita pelo Grupo Dignidade mostrou também que 26,5% das pessoas não usaram camisinha nas últimas relações sexuais e 80,9% nunca fizeram o exame de HIV. ‘‘Temos que parar com essa história de só usar preservativo dependendo da cara do freguês. Não adianta tapar o sol com a peneira. A aids está aí e somente a prevenção poderá garantir que uma pessoa não seja contaminada pelo vírus’’, alertou. Informações sobre a aids e as formas de prevenção podem ser obtidas, gratuitamente, pelo telefone 0800-611997.

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