São Paulo, 30 (AE) - Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (IBEP) - a primeira nesta legislatura - mostra como a Câmara dos Deputados vê as medidas de ajuste fiscal que o governo quer discutir este ano. As determinações impostas pelo acordo com o Fundo Monetário Internacional têm o apoio de 51% dos deputados, segundo o levantamento feito com 370 integrantes da Câmara, ou 72% do total. Em caso de adoção de novas medidas, o corte de gastos (45%) e o combate ao déficit previdenciário (28%) foram apontadas como prioridades. A privatização, no entanto, é citada por apenas 7% dos deputados; 54% rejeitaram a venda da Petrobras e do Banco do Brasil. Nenhum parlamentar defendeu a criação de impostos. A pesquisa foi realizada em março.
O pacto federativo, a distribuição de atribuições e recursos entre a União e os Estados, está entre as grandes preocupações dos deputados ouvidos pela pesquisa do IBEP. Perguntados sobre a possibilidade de mudar esse relacionamento na legislatura que se inicia, 66% responderam afirmativamente e 18% disseram que seria possível sob certas condições. Apenas 9% negaram esta possibilidade.
A moratória decretada pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), foi avaliada como pouco correta ou totalmente incorreta por 64% dos deputados consultados. Mas os parlamentares defendem o diálogo entre União e Estados. 36% dizem que o governo deveria fazer nova renegociação das dívidas; 27% apóiam concessões em algum outro campo.
Dos deputados ouvidos, 82% têm nível de informação "razoável" sobre o projeto de reforma tributária em análise pelo Congresso Nacional - na Comissão Especial da Câmara encarregada da matéria esse percentual atinge 67%. Mesmo assim 55% dos parlamentares indicaram preferência por impostos não declaratórios ou por uma combinação destes com as bases atuais, já conhecidas. Na Comissão Especial, 53% manifestaram-se assim.
A pesquisa do IBEP revela que 35% dos deputados consideram o estímulo à geração de empregos como o propósito mais importante a ser atingido por um novo sistema tributário. O segundo principal objetivo, apontado por 20% dos parlamentares, é o combate à sonegação. Sobre os riscos associados à reforma tributária, 31% apontaram a redução da autonomia dos Estados e municípios, seguidos de um aumento da carga tributária sobre os trabalhadores (18%).
O IBEP também fez um levantamento para apurar os parlamentares - cinco deputados e dois senadores - mais influentes do Congresso. Segundo o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos, Walder de Góes, chegou-se a um grupo de 29 deputados e 18 senadores, identificados por ele como a elite. Na Câmara, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) foi o mais citado, com 50% das menções, seguido de Inocêncio Oliveira (PE), líder do PFL na Casa, apontado por 48%. O líder do PT, deputado José Genoíno (SP), foi o terceiro mais votado, com 37%.
No Senado, o presidente Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) lidera com 56%, seguido de Eduardo Suplicy (PT-SP), com 16%, e Jader Barbalho (PMDB-PA), com 12%.

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