Buenos Aires, 26 (AE) - Grande parte dos argentinos está reconsiderando sua opinião sobre as privatizações realizadas nos últimos oito anos. O divisor de águas sobre a postura da população sobre as privatizações e o papel do Estado na fiscalização dos serviços públicos ocorreu em fevereiro, quando o blecaute da empresa de distribuição de energia elétrica Edesur deixou quase um milhão de portenhos sem luz e sem água durante duas semanas.
Calcula-se que o blecaute causou a morte uma dúzia de pessoas e a perda de US$ 2 bilhões para os comerciantes e moradores do bairro atingidos. Na ocasião, a falta de eletricidade enfureceu centenas de milhares de portenhos, que fizeram barricadas cortando as principais avenidas da zona sul da capital argentina.
Segundo uma pesquisa da Associação Argentina de Orçamento Público (ASAP), depois do blecaute, cresceu o número de argentinos que quer a re-estatização das empresas de serviços públicos: enquanto que em agosto do ano passado essa porcentagem era de 15%, agora já é de 23% da população. Além disso, a pesquisa indica que embora outros 67% querem que as empresas continuem em mãos privadas, exigem que o Estado aplique maior controle sobre as empresas que possuem as concessões. Somente 8% estão satisfeitos, e pretendem que a propriedade das empresas permaneça da forma atual.
Segundo o secretário executivo da Asap, Luis Baldino, as pessoas percebem mais riscos de outros acidentes, e por isso pedem maior controle das empresas privatizadas por parte do Estado. A pesquisa também indicou que para evitar situações de novos cortes do abastecimento dos serviços públicos, 50,6% dos portenhos propõem que as empresas sejam fiscalizadas mais estritamente.
Outros 24,3% consideram que elas precisam ser punidas com maior dureza, e 9,6% sustentam que todos os contratos de concessões devem ser revistos. Além disso, 4,5% acreditam que a solução é anular as atuais concessões e convocar novas licitações.

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