Pesquisa indica avanço na educação
A educação foi, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 1999, a área em que o Brasil alcançou melhoras mais significativas nos últimos dez anos: o analfabetismo caiu e o número de crianças estudando cresceu.
Na faixa etária de 7 a 14 anos, apenas 4,3% das crianças estão fora da escola. Esse percentual era de 5,3% em 1998, 9,8% em 1995 e 16,2% em 1989.
O analfabetismo entre pessoas com mais de 10 anos de idade também caiu para 12,3% em 1999. Já foi de 14,7% em 1995 e 18,2% em 1989.
O presidente do IBGE, Sergio Besserman, disse que, caso os índices se mantenham nesse ritmo, o Brasil poderá erradicar o analfabetismo infantil na próxima década. Se a tendência se mantiver, é possível apostar que o analfabetismo infantil seja total ou praticamente extinto, afirmou Besserman.
A erradicação total do analfabetismo no país é uma tarefa mais difícil: ainda há adultos analfabetos que não frequentam a escola.
Outro problema a ser enfrentado é o analfabetismo funcional, ou seja, pessoas que têm menos de quatro anos de estudo e, embora saibam ler e escrever rudimentarmente, têm dificuldades com textos mais longos.
Entre pessoas com mais de 15 anos, a taxa de analfabetismo funcional ainda é de 30,5%, segundo a Síntese de Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE no início deste ano.
Mesmo assim, o número de anos de estudo da população está subindo, revela a Pnad: de 1995 para 1999, o percentual de pessoas de mais de 10 anos de idade com pelo menos o 2º grau concluído subiu de 15,5% para 19,9%.
A melhora generalizada nos índices de educação conseguiu diminuir, mas ainda não extinguiu diferenças regionais e entre os sexos: em geral, as mulheres frequentam mais a escola que os homens, e as melhores taxas de escolarização estão nas regiões mais ricas do país.
A taxa de analfabetismo entre meninos de 10 a 14 anos de idade é de 7%, maior que a taxa de 4% verificada entre meninas da mesma faixa etária.
As mulheres também estudam mais tempo: entre elas, o percentual das que concluíram pelo menos o 2º grau (11 anos ou mais de estudo) subiu de 16,4% para 20,4% de 1995 para 1999. Entre homens, o percentual subiu de 14,4% para 17,5%.
A Pnad traz ainda a consolidação de outras tendências verificadas nos anos 90: o envelhecimento da população, a redução do número de filhos por mulher e a melhoria nos serviços de saneamento e coleta de lixo.
De 1995 para 1999, o número de pessoas com mais de 60 anos cresceu 14,5% (1,8 milhão de pessoas). Graças ao lento e contínuo processo de envelhecimento da população, os idosos, que eram 7,4% da população em 1995, chegaram a 9,1% em 1999.
A parcela de domicílios com rede de água subiu de 76,3% em 1995 para 79,8% em 1999. No mesmo período, o acesso ao serviço de coleta de lixo também subiu de 72,1% para 79,9%, e o percentual de de casas com energia elétrica aumentou de 91,8% para 94,8%. (Agência Folha)





