Brasília, 08 (AE) - Pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada hoje, aponta que a desaprovação ao presidente Fernando Henrique Cardoso superou a aprovação, de 35%.
A confiança nos atos de Fernando Henrique é declarada por 40% dos entrevistados - mas 54% afirmam não confiar nas ações dele. Os índices de aprovação caíram 23 pontos e os de confiança, 14, em relação a dezembro.
De acordo com o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), pela primeira vez desde outubro de 1997, quando foi realizado o primeiro levantamento Ibope/CNI, a desaprovação e a falta de confiança em Fernando Henrique superaram a aprovação e a confiança nos atos do governo. "A economia incerta influenciou diretamente no baixo índice de popularidade e de confiança do povo no presidente Fernando Henrique", considerou Bezerra. Nesta oitava edição, a pesquisa foi realizada em vários Estados, entre os dias 18 e 21, com 2 mil entrevistas.
A relação entre a queda da aprovação e da confiança não é proporcional. Fernando Henrique perdeu mais nos índices de aprovação do que nos de confiança. Enquanto em fevereiro de 1996 eram 60% dos entrevistados que aprovavam o governo, em março de 1997, eram 54%. Também em fevereiro de 1996, os que confiavam no presidente eram 57% dos entrevistados e, em março deste ano, caíram para 50%.
A região com índice mais elevado de desaprovação ao governo Fernando Henrique é a Sudeste, com 64% de insatisfeitos. A confiança no presidente é maior entre os entrevistados com menos escolaridade (47%) e cai para 33% no segmento de maior instrução.
A pesquisa demonstra que a queda na confiança no presidente pode estar relacionada com o alto porcentual de entrevistados que admitem ter "muito medo" de perder o emprego: 47%. Este porcentual mostra estar crescendo ao longo dos meses. Em janeiro de 1998, eram 35% os que admitiam ter muito medo de perder o trabalho e, em dezembro, 38%. Segundo o levantamento, esse medo atinge mais os entrevistados com baixa escolaridade e moram nas Regiões Nordeste e Sudeste.
O desemprego é, ainda, apontado por 70% dos entrevistados como o problema mais grave do País. Apesar de atingir todas as faixas etárias e de instrução, o desemprego é o pior problema, principalmente para os mais jovens. Em segundo lugar, fica a saúde, com 51%, afetando igualmente os mais pobres e os mais ricos e os mais ou menos escolarizados.
O desemprego e o medo de perder o emprego fazem com que 73% dos entrevistados sejam pessimistas e achem que, no Brasil, o desemprego só tende a aumentar.
Esse temor se espelha na diminuição do o grau de satisfação dos brasileiros, menos 5 pontos porcentuais em relação a dezembro, caindo de 75% para 70%. Apesar da queda, entre os jovens e os que possuem baixa escolaridade, ganham menos e moram em cidades pequenas, o grau é de 80%.
Na pesquisa Ibope/CNI foi, ainda perguntado sobre a opinião dos entrevistados sobre as reformas constitucionais pendentes no Congresso. O porcentual é elevado: 37% acham que o governo deve acelerar as reformas.
O levantamento perguntou especificamente sobre a reforma política, cujos principais pontos estão sendo discutidos no Senado. Para 54%, a reforma política é muito importante para o País e apenas 23% acham que nada importa. A porcentagem dos que acham a reforma política muito importante é maior entre os jovens (59%), os mais escolarizados (80%) e os que ganham salários mais altos (75%). Dos itens da reforma política, a fidelidade partidária tem voto favorável de 61% dos entrevistados.

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