Pesquisa expõe exploração de jovens pelo tráfico
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Agência Estado 
Rio - O tráfico de drogas emprega jovens cada vez com menos idade, que cumprem pesadas cargas horárias de trabalho, não têm direito a folgas e não ganham tão bem quanto se pensa. Eles têm de deixar a escola, sofrem agressões e extorsões por parte de policiais e se expõem à morte diariamente. Essas são algumas das conclusões a que chegou uma pesquisa realizada com 230 traficantes, entre 11 e 24 anos, em favelas do Rio.
O levantamento foi feito pelo Observatório de Favelas, entidade criada no complexo de favelas da Maré, no Rio. A coleta de informações se deu entre junho de 2004 e maio de 2006, em 34 comunidades. Do total de pesquisados, 78% tinham menos de 19 anos. A faixa etária mais expressiva (66%) era dos 16 ao 18.
O ingresso nas quadrilhas, justificado pelo desejo de ganhar muito dinheiro e ajudar a família, segundo os relatos, tem efeito direto no grau de escolaridade: só 7% dos entrevistados continuavam estudando. E somente 10,4% haviam concluído a 8ªsérie. A maioria tinha abandonado a escola entre os 11 e 14, mesma época em que haviam entrado no crime. Mais da metade dos garotos começaram a traficar com 13, 14 ou 15 anos.
Os dados revelaram que os donos das favelas impõem uma rotina dura a seus comandados - 59,5% dos jovens disseram trabalhar mais de dez horas por dia e 57% afirmaram não ter sequer uma folga semanal. Eles sofrem pressão por todos os lados: precisam ajudar em casa (31,7% disseram que dão dinheiro a parentes), escapar do cerco policial (73% já tinham sido agredidos fisicamente por policiais e 54,3% sofreram extorsões ) e dar conta de muitas responsabilidades na hierarquia do tráfico (de acordo com a pesquisa, os cargos mais altos são ocupados por garotos cada vez mais jovens).


