Pesquisa expõe discriminação nos bancos
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sábado, 26 de maio de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Embora as mulheres formem hoje quase a metade da categoria bancária e sejam mais escolarizadas que os homens, elas não têm as mesmas oportunidades de ascensão profissional. Os postos de comando nos bancos, em geral, estão fechados às mulheres que ganham menos que os homens quando conseguem chegar a esse patamar. A situação é ainda mais grave em relação aos negros. Em São Paulo, o coração do sistema financeiro, os negros somam 30% do mercado de trabalho global. Mas, dentro dos bancos, ocupam apenas 12,7% dos postos.
Os dados fazem parte da pesquisa Os Rostos dos Bancários, realizada pelo Dieese, a pedido da Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT). Com a apresentação do levantamento, a CNB/CUT formalizou este mês o início de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) sobre igualdade de oportunidades.
Os resultados desta pesquisa escancaram os efeitos do preconceito e da discriminação de raça e gênero do interior daquele que se considera o mais moderno e dinâmico setor da economia brasileira, disse a presidente da CNB, Fernanda Duclos Carisio. Segundo ela, o primeiro passo importante para a eliminação destas discriminações foi dado com a inclusão do assunto no debate sindical. O segundo passo é esse mapeamento da discriminação feito pelo Dieese. O próximo será a instalação da mesa temática com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Trata-se de um perfil preciso dos trabalhadores do sistema financeiro, com um mapa de gênero e raça, feito pelo Dieese, destacou o secretário da CNB/CUT, Marcelo Terrazas. Nas seis regiões analisadas São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador e Distrito Federal a pesquisa indicou que na composição racial dos empregados bancários é evidente a menor participação dos negros nesse setor.
A participação mais equilibrada dos negros no setor bancário, entre as regiões pesquisadas, foi observada no Distrito Federal, com 49,3%, ante 58,6% nos demais setores. A hipótese para essa similaridade entre as participações é devido à forte presença dos bancos públicos, que possuem processos de contratação com menos possibilidade da ocorrência de discriminação racial. Essa assertiva pode ser corroborada quando comparada à pequena participação, no setor bancário, dos negros na região de São Paulo, na qual os bancos privados são preponderantes na geração de empregos bancários, afirmou Terrazas.
A proporção de mulheres no setor bancário é bastante elevada, acima de 45%, em todas as regiões metropolitanas contempladas pelo levantamento. Em Porto Alegre, as bancárias ocupam 48,3% dos postos de trabalho do setor, estando muito próximos da igualdade na composição do mercado. Entretanto, quanto à remuneração, a desigualdade entre sexos é significativa.
Independentemente da localidade da pesquisa, as bancárias têm rendimentos mensais inferiores à média da categoria, sendo que essas diferenças são menores em Porto Alegre (-16%) e mais acentuadas em Salvador (-27%). Completa o quadro o fato de os homens sempre obterem rendimentos mensais superiores à média: a diferença menos expressiva é em Recife (16%) e a maior é em Salvador (24%).


