Pesquisa do Sebrae revela que microempresa empresta menos
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 27 (AE) - O número de micro e pequenas empresas paulistas que estão solicitando empréstimos bancários caiu de 18% em anos anteriores para 7% hoje. As altas taxas de juros, a burocracia e as exigências impostas pelos bancos comerciais são as principais razões do afastamento dos micro e pequenos empresários dos financiamentos bancários. Essa é a conclusão da pesquisa "A Questão do Financiamento nas Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo", realizada pelo Sebrae-SP em parceira com a Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP -, divulgada hoje em São Paulo.
O levantamento mostra que se os juros e a burocracia para se obter empréstimos caíssem, o aumento da demanda cresceria significativamente. Hoje, do total dos micro e pequenos empresários de São Paulo, apenas 10% recorre aos bancos para buscar financiamentos, e poderia chegar a 60% se o crédito fosse mais barato e fácil. A pesquisa mostra que se a taxa de juros aplicada pelos bancos fosse de 2,1% ao mês, o aumento da demanda por crédito cresceria 100%, atingindo um volume de cerca de R$ 1 bilhão. Hoje a taxa média de financiamento para capital de juros está em torno de 3,1% ao mês, correspondendo a uma demanda de R$ 294,6 milhões. Para 69% dos entrevistados, a redução dos juros é a principal medida para facilitar a tomada de empréstimos.
Segundo o levantamento, as formas de financiamento mais procuradas pelos micro e pequenos empresários são a negociação de prazos com fornecedores (64%), pagamento de contas com cheques pré-datados (47%) e uso do cheque especial ou cartão de crédito para pagar contas (27%). A maior dificuldade apontada pelos entrevistados para se tomar empréstimos em nome de pessoa jurídica é a exigência de garantias reais, como imóveis ou outros bens, que já impediu a liberação de 36% dos empréstimos solicitados.
O levantamento mostra que 51% das empresas demandam empréstimos de valores acima de R$ 20 mil, enquanto que 37% desejam financiamentos de até R$ 10 mil. Em relação ao período do financiamento, a maioria (47%) prefere prazos de até 24 meses.
De acordo com o gerente do Núcleo de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, a solução para alavancar o crédito não virá do mercado, mas de uma política oficial do governo federal. O Sebrae encaminhou para o governo federal uma proposta para facilitar o crédito às pequenas e micro empresas. Entre elas, está a utilização de parte do compulsório bancário à vista para financiar capital de giro das pequenas empresas. O Sebrae sugere também juros de 0,5% a 1% ao mês para o crédito para as pequenas empresas, alíquota zero de IOF e isenção da taxa de abertura de crédito pelos bancos.
A proposta inclui ainda a renegociação dos passivos financeiros, visando a separação do principal da dívida dos encargos (juros e correção); correção do "principal" à taxa de 12% ao ano; correção dos encargos a uma taxa menor e negociação dos prazos para pagamento dos débitos em atraso. A pesquisa ouviu 408 micro e pequenas empresas dos setores industrial, comercial e de serviços, durante o mês de agosto, no Estado de São Paulo.


