Pesquisa do IBGE confirma recuperação da indústria16/Mar, 16:04 Por Irany Tereza Rio, 16 (AE) - A recuperação ensaiada no fim de 1999 pela indústria se mantém neste início de ano no parque fabril de São Paulo, que registrou em janeiro seu quarto mês de aumento e já alcança uma média de expansão mensal de 7,8%. O índice, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é superior à media nacional, de 5,4%. "São Paulo, o Estado que mais reduziu a produção no ano passado, vem confirmando sua reação industrial", diz Miriam Ferreira, gerente do Departamento de Indústria do IBGE. Dezessete dos vinte ramos pesquisados fazem parte deste processo de retomada de crescimento. Os principais impactos positivos vêm da indústria química (7,4%). O segmento de material de transporte, puxado pela indústria automobilística, cresceu 13,7% em janeiro em relação a dezembro do ano passado, iniciando uma recuperação das perdas sofridas com o aumento das taxas de juros. A indústria mecânica, responsável pela produção de bens de capital setor que mais sofreu as consequências da desvalorização cambial, também é um dos líderes do crescimento, com elevação de 12,3%. "O acumulado de 12 meses continua negativo, mas os sinais reaquecimento são bastante claros", diz Miriam. Em dezembro, o acumulado apontava recuo de 4,3% na atividade industrial paulista. Em janeiro, o nível de queda havia se reduzido para 3,1%. "Este indicador mostra que o movimento de retomada no ritmo produtivo, iniciado em agosto do ano passado, é mantido", diz a analista. Os três únicos setores que apresentaram desempenhos negativos foram o farmacêutico, matérias plásticas e fumo. A queda na indústria de fumo chegou a 89% do resultado, na avaliação de Miriam, da concentração dessa indústria em seus Estados originais. Muitas unidades de São Paulo foram fechadas. Ela lembra, também, do problema da concorrência neste mercado, com produtos contrabandeados, que vem afetando significativamente a indústria nacional. O setor farmacêutico caiu 14,5%, em parte por causa das férias coletivas que se estenderam pelo mês de janeiro, e o segmento de matérias plásticas recuou 2,3%. No desempenho nacional, o Rio Grande do Sul se destacou com o mais elevado índice de crescimento: 15,4%, na comparação entre janeiro de 2000 e dezembro de 1999. Nesta região, a alta foi puxada basicamente pelo setor químico, que conseguiu aumentar em 23,1% a sua produção. Minas Gerais veio em segundo lugar no crescimento, com 11,6%, com destaque para as indústrias metalúrgica, com 18,1%, e de alimentos, com 19%. São Paulo foi o terceiro Estado que mais cresceu no cenário nacional. As maiores perdas foram registradas em Pernambuco e Paraná, com quedas, respectivamente, de 19,8% e 13,1%. Estes resultados, segundo Miriam, apesar de representarem perdas elevadas, ficaram concentrados no fraco desempenho da indústria de produtos alimentícios pernambucana, afetada pela interrupção na safra do açúcar, e pela redução das atividades do setor elétrico e de comunicações paranaense.

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