Rio, 30 (AE) - O Brasil está caminhando para uma distribuição de renda menos injusta e para a redução do analfabetismo. Estas são as duas melhores notícias da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1998, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A parte ruim é que a maior parte das mudanças positivas está ocorrendo muito lentamente.
O País continua a apresentar uma enorme concentração de renda, com metade da população ocupada recebendo, em média, menos de dois salários mínimos, enquanto apenas 2,3% ganham acima de 20 vezes o salário referência. "A boa perspectiva é que os trabalhadores com os menores salários mantiveram os ganhos obtidos pelo real mesmo diante das crises internacionais, os mais baixos ampliaram em até 7,7% o poder aquisitivo neste período", diz o presidente do IBGE, Sérgio Besserman.
O desempenho do quesito Educação foi festejado hoje pelo ministro Paulo Renato Souza: "São dados espetaculares", resumiu, na abertura do 5.º Seminário Nacional do Programa Alfabetização Solidária, em Brasília. De fato, a taxa de escolarização entre crianças de 7 a 14 anos já é superior a 90% em todas as regiões do País, até mesmo no Nordeste, que registra o índice mais baixo: 92,3%. No saldo geral 94,7% das crianças brasileiras nesta faixa etária estão na escola.
Além da curva ascendente do nível de instrução, também vem sendo observada nos últimos cinco anos a ampliação de serviços de eletrificação, telefonia e saneamento básico. O crescimento do número consumidores com acesso a bens duráveis, especialmente eletrodomésticos, que teve sua explosão logo após a criação do real, também vem mantendo a trajetória de alta, embora mais modestamente.
Atualmente a quantidade de domicílios com televisão (87%) é quase a mesma dos que têm rádio (90,4%). Em 93, antes do real, apenas 75,8% dos lares eram dotados de aparelho de TV. Agora a pesquisa começa a detectar um aumento na aquisição de bens e serviços menos acessíveis, como telefone, cuja cobertura era em 98 quase o dobro da de 93. Besserman lembra que também passaram a uma posição melhor entre famílias mesmo de baixa renda eletrodomésticos como freezer e máquina de lavar, o que confirma o aumento do poder aquisitivo e a melhoria da qualidade de vida.
A PNAD, que implantou no Brasil o sistema de pesquisas domiciliares, foi iniciada em 1967 e sua abrangência geográfica vem sendo ampliada ao longo do tempo. Atualmente, o levantamento engloba todas as grandes regiões, à exceção da área rural da Região Norte que representa, segundo dados do próprio IBGE, 2,5% da população nacional. Cerca de 1.500 pesquisadores trabalharam na coleta dos dados entre outubro e dezembro de 98. "O Brasil é um país de profundas desigualdades e esta pesquisa é o instrumento mais valioso que a sociedade dispõe para seu autoconhecimento", comenta Besserman.

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