São Paulo, 16 (AE) - A inflação média de três indicadores - IPC-Fipe, INPC-IBGE e IGPM-FGV - deverá subir ligeiramente em abril, mostra a Carta Semanal do BNDES. Pesquisa do Departamento Econômico do banco junto ao Citibank, CSFB-Garantia, MCM Consultores Associados e Rosenberg e Associados aponta que a inflação média deve avançar de 1,30% para 1,42% de março para abril. A taxa média mais elevada referente à composição dos três índices é 1,67%, sinalizada pelo Citibank. A menor é 1,25%, da MCM Consultores. No meio campo estão o Garantia, que estima índice médio de 1,27% para abril e Rosenberg, com 1,50%. Para cada um dos índices contabilizados, a média obtida a partir das projeções das quatro fontes consultadas é a seguinte: para o IPC-Fipe, a estimativa média é de 1,49% em abril; para o INPC, de 1,48% e, para o IGP-M, de 1 30%.
Inadimplência - Apesar da turbulência observada no mercado financeiro nos primeiros meses do ano devido à mudança do regime cambial no País, o nível de inadimplência da economia - medido pela relação créditos em atraso e em liquidação sobre total de créditos concedido pelo sistema financeiro - registrou ligeira queda, segundo dados do Banco Central e analisados pelo Departamento Econômico do BNDES. Em fevereiro, comenta o banco em sua Carta Semanal, a taxa de inadimplência da economia brasileira foi de 9,3% frente aos 9,5% registrados em dezembro do ano passado. Quanto à inadimplência total do setor privado em fevereiro, o setor industrial e a rubrica "outros serviços" registraram a maior participação dos empréstimos em atraso e em liquidação.
O nível de inadimplência foi de, respectivamente, 50,6% e 68,2%. O BNDES destaca que este elevado nível de inadimplência registrado pela indústr ia frente, por exemplo, ao apresentado pelo comércio deve ser, em parte, relativizado, uma vez que o total de créditos concedidos à indústria é quase cinco vezes maior ao total concedido ao comércio. Quanto a este segmento, explicam os técnicos do BNDES, utilizando dados da Associação Comercial de São Paulo, a inadimplência mostrou sinais de queda no primeiro trimestre deste ano frente a igual período de 1998, contrariando, desta forma, as expectativas pessimistas que apontavam um expressivo aumento das concordatas requeridas e das falências decretadas em decorrência da liberação do câmbio.
O número de concordatas requeridas e de falências decretadas na capital paulista, neste mesmo período de comparação, passou de 68 para 43 e de 357 para 298, respectivamente - o que significou quedas de 36,8% e 16,5%. Segundo analistas do banco, esta redução do número de concordatas requeridas e d e falências decretadas pode ser explicada não só por um movimento de renegociação de dívidas, refletindo, sobretudo, a dificuldade de acesso ao crédito - o que levou, por sua vez, as empresas a estarem com níveis de endividamento inferiores aos registrados caso fosse abundante a oferta de crédito.

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