Pesquisa da FGV faz diagnóstico da rede hoteleira do Rio
Rio, 23 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje os primeiros resultados de uma pesquisa feita sob encomenda para a Associação Brasileira de Indústrias de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (Abih), com o objetivo de analisar diversos aspectos relacionados à rede hoteleira da cidade do Rio. O estudo revelou algumas surpresas. Durante o mês de agosto, época desfavorável ao turismo, os 46 hotéis cariocas incluídos na avaliação registraram taxa de ocupação de 67% - índice próximo aos 69% referentes a todo o ano passado, o melhor resultado em dez anos. O perfil do turista, que antes vinha à cidade por lazer, mudou: hoje o Rio é visto como uma capital comercial que possui praias, e não um balneário, o que atrai muitos executivos e empresários.
O grande volume de investimentos por parte dos donos de hotéis - em especial os de cinco estrelas -, que possibilitou melhora dos serviços oferecidos, pode ser considerado um dos fatores da grande procura de estrangeiros pelos hotéis do Rio. "Não há dúvida: quem investe, pode cobrar mais e por isso ganha mais", afirmou o vice-presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal. A Riotur, empresa de turismo do Rio, divulgou relatório que dizia que os estrangeiros voltam para casa bastante satisfeitos. Dois terços da taxa de ocupação é, no entanto, de brasileiros, o que, segundo os analistas da FGV, se deve à desvalorização do real face ao dólar.
A pesquisa verificou ainda que turistas brasileiros procuram hotéis mais baratos, enquanto os estrangeiros preferem os de cinco e quatro estrelas. A orla marítima da zona sul, em especial Copacabana, Leme, Ipanema, Leblon e São Conrado, é o destino mais comum. O maior número de estrangeiros vem dos Estados Unidos, seguido da Argentina e da Alemanha. Entre os brasileiros, os paulistanos somam 32% do total, e os paulistas do interior, 10%, o que coincide com o fato de São Paulo ser o principal cliente de negócios do estado do Rio. Os nortistas e nordestinos aparecem em último lugar da pesquisa. "Isso reflete a diferença de poder aquisitivo entre os Estados", explicou Roberto Fendt, pesquisador da FGV.
Revéillon - Para o revéillon deste ano, a expectativa é de 100% de ocupação, índice já alcançado no ano passado. Para satisfação dos hoteleiros, os R$ 500 mil dólares investidos na realização dos dezoito minutos de queima de fogos de Copacabana deverão dar um retorno ainda maior do que o de 1998. "O índice de ocupação de todo o ano passado foi de quase 70%, imagina o que não vai representar o revéillon do ano 2000 na estatística de 1999", disse álvaro Bezerra de Mello, presidente da Abih.
Segundo Mello, a falta de estudos estatísticos leva muitos empresários a investirem equivocadamente na área de turismo. "É o que vem acontecendo em São Paulo, por exemplo: houve um sem-número de novos hotéis inaugurados, mas a falta de um estudo prévio levou a um descompasso entre oferta e demanda". Para evitar perda de capital, outras cidades, como a própria capital paulista, já contactaram a FGV em busca de análises semelhantes à feita no Rio.





