Pesquisa da CNT mostra desalento do brasileiro quanto à crise
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 19 (AE) - Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) ao instituto Vox Populi mostra que a maioria dos brasileiros desconhece as propostas dos partidos de esquerda para solucionar os problemas do País - 76% dos entrevistados afirmaram ignorar as sugestões da oposição - e não associa o sucesso do governo a um candidado de oposição. Para 31% dos cidadãos a situação do País seria a mesma se Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT derrotado nas três últimas eleições presidenciais e presidente de honra do partido, comandasse o Palácio do Planalto. Outros 27% disseram que o Brasil estaria melhor se o líder petista tivesse sido eleito e 25% que estaria em pior situação.
Realizada entre os dias 9 e 10 de outubro, ouvindo mais de 2 mil pessoas, a pesquisa também revelou certo ceticismo ante a capacidade dos virtuais candidatos à sucessão de Fernando Henrique Cardoso para resolver os problemas do País. Apresentados a uma lista composta pelos nomes do ex-ministro Ciro Gomes (PPS); Lula (PT); do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB); do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL), e do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), 24% dos entrevistados afirmaram que nenhum deles daria jeito nas dificuldades brasileiras.
Ainda de acordo com o levantamento, 23% dos cidadãos apontaram Ciro Gomes como solução e 21% escolheram Lula. O governador de Minas Gerais, recebeu 9% das menções; 6% para ACM; e 4% para Covas. A pesquisa da CNT confirma o cenário identificado por outros institutos de pesquisa, acusando empate entre Ciro Gomes e Lula na preferência do eleitorado, cada um com 25% das menções estimuladas. A pouco mais de três anos das eleições presidenciais, os dois políticos despontam como candidatos naturais da esquerda.
Insatisfação - O índice de rejeição ao governo caiu de 65%, em setembro, para 62% e o índice de aprovação manteve-se estável em 8%. Para a metade dos entrevistados, entretanto, a responsabilidade da solução dos problemas mais graves do País -desemprego, saúde e miséria - deve ser dividida entre o governo
o Congresso e a sociedade e não pode ficar nas mãos do presidente. O índice de satisfação do cidadão, principal enfoque da pesquisa divulgada hoje, atingiu o seu ponto mais baixo desde o primeiro trimestre deste ano: 45% dos entrevistados afirmaram que sua situação pessoal e familiar piorou nos últimos seis meses. Em março, esse contingente era de 35%. A avaliação sobre aspectos morais da sociedade também piorou: 74% disseram que a impunidade está aumentando (48% em março) e 83% que a corrupção cresceu (61% em março).
O desemprego continua sendo, de longe, o mais grave problema apontado pelos entrevistados, com 46% das menções. Em seguida vêm a violência e a criminalidade, com 17%, e a miséria, com 11%. Segundo 90% dos cidadãos entrevistados, o governo está pouco empenhado na busca de soluções para a questão da pobreza; 89% vêem pouco empenho em solucionar o problema da violência e criminalidade e 84% acham que falta disposição para combater o desemprego.
A sondagem divulgada pela CNT retrata um brasileiro desalentado: 47% dos entrevistados acreditam ter menores chances de progredir, quando comparam sua vida com a que seus pais levavam no passado, contra 37% que acreditam ter mais possibilidades. Para 53% dos entrevistados, seu progresso pessoal está atrelado ao crescimento do País.


