Brasília, 01 (AE) - Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.129 empresas de pequeno, médio e grande portes em 19 Estados do País, no último trimestre do ano passado, indica que a maioria dos industriais está otimista com o desempenho da economia, do seu setor de atividade e de sua própria empresa com relação aos próximos seis meses deste ano. O presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, disse que a pesquisa intitulada Sondagem Industrial detectou, pela primeira vez desde que começou a ser feita, em 1998, que o crescimento do desemprego acabou. Em uma escala que varia de zero a 100 (onde acima de 50 é avaliação positiva), o indicador de nível de emprego subiu de 49 pontos no terceiro trimestre de 1999 para 50 5 pontos no último trimestre do ano passado, registrando um crescimento acumulado de 24% em relação ao mesmo trimestre de 1998.
Moreira Ferreira informou que o indicador que mede a evolução da produção industrial nos últimos três meses de 1999 atingiu 57,1 pontos, registrando um crescimento de 6,6% na comparação com o trimestre anterior e de 27,1% em relação ao mesmo período de 1998. As pequenas e médias empresas, apesar de terem melhorado seu desempenho, obtiveram um indicador de 56,1 pontos contra 58,8 pontos obtidos pelas grandes empresas no período. "Isso mostra que as pequenas e médias continuam apresentando mais dificuldades para se recuperar do que as grandes", observou o coordenador da Unidade Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
A Sondagem Industrial indica que para os grandes empresários as condições atuais estão melhores tanto em relação a sua empresa como ao seu setor de atividade. Esses dois indicadores alcançaram 64,6 e 60,5 pontos, respectivamente. Com relação às condições da economia como um todo, o indicador ultrapassou, pela primeira vez desde 1998, a marca de 50 pontos, alcançando 58,4 pontos, contra 45,9 pontos registrados no terceiro trimestre de 1999. Entre os setores que estão mais otimistas neste semestre estão papel e papelão, vestuário, calçados e têxtil. No setor de papel e papelão 90% dos empresários consultados - pequenos, médios e grandes - estão otimistas com relação à sua própria empresa.
A pesquisa mostra que as indústrias também estão otimistas com relação ao aumento do seu faturamento, ao aumento das exportações e à manutenção do emprego nos próximos seis meses: 51% das grandes e 41% das pequenas e médias esperam aumentar o faturamento, enquanto 48% das pequenas e médias prevêem aumento das exportações (apenas 9% esperam queda). Com referência ao emprego, 66% das pequenas e médias e 63% das grandes esperam estabilidade no período.
Investimento - Além da Sondagem Industrial tradicional, que é feita trimestralmente, os economistas da CNI também fizeram perguntas especiais aos empresários sobre suas intenções de investimentos e capacidade produtiva para este ano. A maioria - 52,6% dos grandes e 56,5% dos pequenos e médios - disseram que irão aumentar seus investimentos em relação a 1999. A maior parte deles -78% dos grandes e 67% dos pequenos e médios - também disseram que sua capacidade produtiva é adequada para atender a maior demanda de pedidos que deverá ocorrer em função da recuperação da economia.
Apesar do otimismo, os executivos entrevistados manifestaram seu receio com problemas que podem dificultar a concretização de seus planos nos próximos seis meses. Entre estes citam a reforma tributária como principal, que foi assinalada por mais de 70% dos entrevistados nos três portes de empresas. Em segundo lugar, os pequenos e médios empresários apontaram redução da margem de lucro, seguida da competição acirrada de mercado e aumento das taxas de juros. Já para as grandes empresas, as altas taxas de juros são o segundo pior problema, seguida da competição acirrada de mercado e da redução da margem de lucro.