Pesquisa da CNI mostra que maioria reajustou salários abaixo da inflação
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
por Gecy Belmonte 
Brasília, 7 (AE)- A Pesquisa "Sondagem de Relações Trabalhistas e Sindicais", realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre 500 empresas de diversos setores industriais, de diversos portes, mostra que mais de 90% delas concedeu benefícios nas negociações coletivas travadas com seus empregados em 1998. Entretanto, a maioria dos reajustes entre as respectivas datas-base não acompanhou a
inflação do período objeto das negociações. Apenas 10,9% das empresas concederam aumento acima do índice inflacionário. Cerca de 19% não concederam nenhum aumento salarial. Os reajustes praticados em 1998 também foram inferiores aos de 1997.
A pesquisa mostrou, ainda, que as grandes empresas aplicaram reajustes menores em troca de planos de participação nos lucros ou nos resultados e de políticas de benefícios. A pesquisa foi divulgada pelo presidente da CNI, deputado José Carlos Moreira Ferreira (PFL-SP). Segundo a pesquisa, a convenção coletiva de trabalho foi o instrumento que prevaleceu nas negociações, ao lado do acordo com participação do sindicato
patronal. Das empresas pesquisadas, 49,5% incluíram cláusulas de participação nos lucros ou resultados nas negociações, enquanto a maioria das micro e pequenas empresas não aplicou programnas de participação nos lucros. Com relação a banco de horas e contratação por prazo determinado, 27,5% das empresas aplicaram a flexibilização da jornada de trabalho - banco de horas. A contratação por prazo determinado ficou à margem do processo negocial. A suspensão temporária do contrato de trabalho e a redução da jornada de trabalho com diminuição de salário praticamente inexistiram nas negociações de 1998 entre empregados e empregadores, entre as 500 empresas pesquisadas pela CNI. Empresas - O presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, disse que a pesquisa "Sondagem de Relações Trabalhistas e Sindicais" foi feita com a intenção de conhecer a política desenvolvida pelas empresas com relação aos principais temas que orientam as áreas trabalhista e sindical, bem como a posição empresarial em relação aos direitos sociais garantidos pela Constituição e pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
egundo Moreira Ferreira, o levantamento mostrou a clara opção das empresas pela negociação, em lugar da legislação. Ele disse, também, que os elevados custos trabalhistas compulsórios oneram a competitividade das empresas e dificultam a criação de novos empregos. Por isso, a entidade defende a flexibilização de alguns desses direitos para reduzir o custo empresarial.


