Pesquisa constata exclusão de negros de ações públicas
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sexta-feira, 11 de maio de 2001
Ellen Taborda De Curitiba 
Mesmo representando mais de 15% da população curitibana, os negros são esquecidos nos discursos e políticas públicas. É o que constata pesquisa feita pelo sociólogo e antropólogo, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Rodolfo Bodé Moraes.
A população negra e parda soma 197,8 mil do total de habitantes de Curitiba segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1991. Mesmo assim, criou-se a imagem de que a cidade é de primeiro mundo, formada por etnias européias, ignorando-se por completo a presença importante dos negros, afirma Bodé. Na época da escravidão, os negros chegaram a representar 60% da população curitibana.
Para o professor, a omissão da presença negra é constatada em discursos, políticas públicas e no registro da história da cidade. Ele cita como exemplo o livro adotado no ensino fundamental, Lições Curitibanas, que lista as etnias que formaram a cidade. Mais uma vez, os negros foram ignorados.
Bolé lembra que todas as etnias têm monumentos e parques em sua homenagem. Ninguém sabe onde fica a Praça Zumbi dos Palmares, diz referindo-se ao espaço que lembra o negro, no bairro Pinheirinho, região Sul de Curitiba. Ele conta que, um ano atrás, a praça nada mais era que um campo com mato. Perto das eleições, ela foi cercada, diz.
Para o coordenador do Grupo de Estudos Afro-Brasileiros da UFPR, Nizan Pereira, trata-se de uma política de invisibilização da população negra. Para o governo admitir a presença do negro, ele tem também que admitir a existência da pobreza na cidade. Toda a propaganda oficial invoca uma capital branca, formada por alemães, italianos e poloneses.
Para o professor Bolé, essa política é uma forma de exclusão social. Essa forma de racismo é particularmente perversa, porque nega a presença do negro.


