Pesquisa comprova queda do autoconceito
A obesidade, principalmente nas crianças que estão deixando a infância e entrando na adolescência, é fator que influencia para uma autoestima mais baixa. A constatação foi feita pelo professor de educação física Helio Serassuelo Júnior, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em pesquisa para tese de doutorado.
A coleta de dados foi feita em 2006 e 2007 com 785 crianças com idade entre 8 e 14 anos, em seis escolas de Cambé. O objetivo era avaliar o autoconceito, ou a autoestima, em relação a variáveis como peso corporal, estatura, idade, nível socioeconômico e sexo. Dentro da amostra, 581 foram considerados com peso normal, 121 com sobrepeso e 83 obesos - isto segundo o índice de massa corpórea (IMC).
Para a avaliação, o pesquisador utilizou um instrumento americano que validou para a língua portuguesa. As 60 questões podiam ser respondidas com sim ou não, sem resposta certa ou errada, como ''eu sou uma pessoa feliz'', ''eu sou líder em jogos e esportes'', e ''meus amigos gostam das minhas idéias''.
O resultado mostrou que a autoestima cai quando há obesidade, e que isso fica mais evidente com o avanço da idade e entre as meninas. ''A aparência física é o que faz com que realmente haja queda do autoconceito, quando a criança se sente inferiorizada em relação aos seus pares. As meninas tendem a se autoavaliar cada vez com mais critérios e cada vez com mais rigidez'', alerta.
A questão é preocupante, segundo ele, porque com baixa autoestima há mais dificuldade de se fazer amigos e tendência ao isolamento, fatores que podem levar a depressão e transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, principalmente da pré-adolescência em diante.
Outro problema é que o autoconceito baixo pode levar a criança a ter mais dificuldade em realizar atividades esportivas, porque passa a acreditar que não consegue realizar determinadas atividades. ''Outro ponto que pode ser destacado é que, independentemente do nível socioeconomico, o problema acontece, a percepção da obesidade ultrapassa as barreiras sociais e econômicas'', afirma.
A tese foi defendida em 2007 na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP).(C.P.)





