Uma pesquisa publicada este ano na revista médica New England comparou a eficácia dos tratamentos disponíveis para quem tem doença arterial coronariana. E o resultado, segundo o cardiologista Ricardo Rodrigues, de Londrina, surpreendeu: a performance do uso de medicação, da angioplastia e da cirurgia cardíaca foi a mesma em pacientes diabéticos durante um período de cinco anos.
Segundo Rodrigues, foram estudados 2368 pacientes, todos com doença cardíaca e diabéticos. Entre eles, 763 tiveram indicação médica para cirurgia cardíaca aberta, e 1605 para angioplastia. Depois dessa indicação, o tratamento foi escolhido por sorteio, e dentre os do primeiro grupo, 385 foram encaminhados para terapia medicamentosa, e 378 fizeram de fato a cirurgia. No segundo grupo, 807 receberam só medicamentos, e 798 passaram pela revascularização.
Durante os cinco anos da pesquisa, 42% dos participantes tiveram que migrar ou para cirurgia ou para angioplastia, mas, ao final desse período, todas as terapias se mostraram positivas e com a mesma eficácia. ‘‘A novidade é isso acontecer em um paciente com diabetes’’, avalia o médico.
O resultado, segundo Rodrigues, também significa mais segurança, tanto para o paciente, quanto para o médico, de poder esperar por um procedimento cirúrgico ou de angioplastia caso não haja condições clínicas naquele momento. ‘‘Não há competição entre um método e outro, todos são colaborativos entre si. É possível optar por uma estratégia e migrar para outra, sem prejuízos ao paciente’’, afirma.
Mas, que fique claro: esse resultado só vale para pacientes crônicos, o que não é o caso do infarto, manifestação aguda da doença.(C.P.)

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