Pesquisa CNT/Vox Populi aponta desaprovação de 31% para Covas
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terça-feira, 21 de dezembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 21 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), obteve um dos piores resultados na pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) ao Instituto Vox Populi que mediu a satisfação popular em relação ao desempenho dos governos estaduais. A pesquisa revelou que Covas recebeu 28% de avaliação positiva (ótimo ou bom) e alcançou um índice de desaprovação de 31%, resultados obtidos pela média das cinco pesquisas realizadas ao longo deste ano em 12 Estados.
A avaliação do governo Covas só não é pior que a do colega do Pará, Almir Gabriel (PSDB), que alcançou um índice médio de aprovação de 26% e de desaprovação de 36%. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), desfruta a melhor performance, segundo a pesquisa, obtendo a média de 61% de apoio popular. A análise do desempenho dos governadores é resultado da média dos dados obtidos em pesquisas realizadas em janeiro, abril, agosto, novembro e dezembro. "Os cidadãos estão mais atentos à administração estadual, atribuindo a ela responsabilidades que até creditava ao município", acredita o presidente da CNT, Clésio Andrade.
A última pesquisa realizada este ano ouviu 2.003 entrevistados no País, entre os dias 11 e 14, em 195 municípios. O índice global de variação da satisfação do cidadão subiu de 106,45 em novembro para 107,49 em dezembro. Os dados revelam aumento de um ponto porcentual na avaliação positiva do desempenho do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele tinha a aprovação (ótimo ou bom) de 11% dos entrevistados em novembro, passando para 12% em dezembro.
O diretor-presidente da Vox Populi, João Francisco Meira
ressaltou que o índice de satisfação do presidente aumentou quatro pontos porcentuais - pulou de 8% para 12% - no último trimestre. Segundo Meira, caso seja mantido o ritmo de elevação de quatro pontos porcentuais por trimestre, Fernando Henrique poderia recuperar, em 15 meses, até março de 2001, o índice de aprovação de dezembro de 1998, de 32%.
Ainda conforme a pesquisa CNT/Vox Populli, o índice de desaprovação (avaliação ruim ou péssima) do desempenho presidencial caiu de 62% para 59%, entre outubro e dezembro, um índice ainda alto, na opinião de Meira. Na avaliação de 68% dos entrevistados, o segundo mandato de Fernando Henrique tem sido, até agora, pior do que o primeiro. Um total de 22% acha que está igual e apenas 7% consideram melhor a atual administração do presidente. "Mas há uma sugestão de recuperação do índice de satisfação, e a continuidade do crescimento está ligada à recuperação econômica do País, afirmou o presidente do Vox-Populi.
A população está mais satisfeita com os prefeitos, segundo a pesquisa. Numa escala de um a cinco, a nota média em relação aos serviços oferecidos pelas cidades ainda é de 2.86. De setembro para dezembro, o índice de aprovação do desempenho das prefeituras subiu de 29% para 33%. "A satisfação com os prefeitos decorre de um aumento da satisfação com as cidades onde as pessoas vivem", acredita o diretor-presidente do Vox-Populi. "Nos últimos dois anos, os prefeitos voltam-se mais para ações práticas, visando até a eleição", emendou o presidente da CNT. Se tudo continuar bem, acredita Meira, nos municípios onde ocorrerá apenas um turno, a reeleição dos prefeitos pode ser considerada. Os mais bem avaliados estão no Nordeste.
A maior preocupação do brasileiro ainda é o desemprego. Faz parte do temor de 72% dos entrevistados. Em segundo lugar, vem a corrupção, apontada como fonte de receio de 33% dos entrevistados pelo Vox-Populi. Os pesquisadores acreditam que a preocupação com a corrupção pode estar associada à recente discussão sobre impunidade. Ao avaliar o desempenho do Legislativo, a pesquisa mostrou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara é a que desperta o maior interesse.
Dos entrevistados, 31% disseram-se informados sobre a CPI do Narcotráfico e, destes, 78% aprovam as investigações. Um total de 23% dos entrevistados está mais informado sobre a CPI do Judiciário e 22% têm interesse maior na do Sistema Bancário.
A terceira preocupação revelada pela pesquisa é com a pobreza e a miséria, seguida pela criminalidade. A qualidade do sistema de saúde pública e da educação são preocupações apontadas por 7% e 2% dos entrevistados, respectivamente.
Apenas 1% se preocupa com a lentidão da reforma agrária. "A preocupação com o desemprego não sai da cabeça do cidadão e equivale a um recado ao governo", acredita o presidente da CNT, lembrando que o combate à questão foi alvo da campanha de reeleição de Fernando Henrique.
Embora estejam sendo acompanhadas, as reformas propostas pelo governo ao Congresso não alimentam tanto o interesse da população.
Conforme a pesquisa, há um maior acompanhamento em relação à reforma política, de 17% dos entrevistados. Outros 16% dizem estar informados sobre a reforma tributária, e 15% sabem do andamento da reforma do Judiciário.
O índice de aprovação dos trabalhos realizados pelo Congresso ficou em torno de 60%. A maior desaprovação foi de 11%
e está relacionada aos trabalhos em torno da reforma do Poder Judiciário. "Apesar de estar fora da agenda do cidadão, ele aprova as reformas, o que dá ao Poder Legislativo uma boa nota"
acredita o diretor-presidente da Vox-Populi.
Em relação aos indicadores da situação econômica dos entrevistados, a pesquisa mostra, em setembro, uma queda de expectativas quanto à renda.
Foi o mês em que ocorreram aumento das tarifas públicas. "O consumidor é sensível e já tinha tomado um susto anterior, com o câmbio", explicou Meira.
Em setembro, 7% dos entrevistados consideravam que a renda mensal havia aumentado; em dezembro, o índice subiu para 9%. Pela pesquisa, caiu de 71% para 68% o índice de entrevistados que não considera o momento bom para a compra de bens de consumo durável. A alimentação e a saúde permanecem como os itens de maior despesa para o brasileiro, que tem na televisão a fonte de diversão predileta. Segundo Andrade, os brasileiros sentiram a crise, mas estariam absorvendo o impacto.
"A pesquisa mostra que as pessoas passaram por sustos, têm expectativas não preenchidas, mas também indica que há esperanças de melhoria", afirmou Meira. Para o presidente da CNT, a queda dos juros e do valor do câmbio, o afastamento do fantasma de retorno da inflação, entre outros pontos, ajudou na construção da esperança. "Mas a população também deixa claro que espera medidas práticas e rápidas para resolver seus problemas mais imediatos, como a falta de emprego e a violência", explicou.


