Pesquisa CNT mostra rejeição ao aborto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de abril de 2005
Iuri Dantas<br>Agência Estado 
São Paulo, SP- Ao mesmo tempo em que aprova o planejamento familiar, o uso de métodos contraceptivos e a distribuição de preservativos e pílulas do dia seguinte pelo governo, grande parte da população é contrária ao aborto. Quase metade _49,5%_ é contra o aborto mesmo em casos de violência sexual, hipótese em que o Código Penal permite o procedimento.
Os números constam de pesquisa CNT (Confederação Nacional dos Transportes)/ Instituto Sensus. Ao serem indagados sobre o aborto, 85% dos entrevistados se disseram contra e 12,3% a favor. Nos casos de violência sexual, 43,5% afirmaram ser contrários.
Segundo Gilberta Soares, 39, secretária-executiva das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto, a pesquisa deturpa a realidade pelo modo como foram feitas as perguntas. ''Tratam como tabu. Botam o rótulo. Quem é a favor do aborto é contra a vida e quem é contra é a favor da vida. O assunto continua guardado, o aborto continua proibido e as mulheres continuam morrendo.''
Como alternativa, ela sugere que se questione se uma mulher que abortou deve ir para a cadeia. A maioria responderia que não, de acordo com Soares.
Sobre contracepção, 87,2% dos entrevistados pelo Instituto Sensus se disseram a favor de algum método anticoncepcional, 82,9% são a favor de planejamento familiar e 84,4% são a favor da distribuição de preservativos e pílulas do dia seguinte a famílias de baixa renda. Posicionaram-se contra 9,7%, 12,7% e 3,4%, respectivamente.
O Sensus ouviu 2.000 pessoas de 195 Estados entre os dias 12 a 14 deste mês.
O ministro Humberto Costa (Saúde) voltou a afirmar que continua válida a norma técnica de sua pasta que retira a obrigatoriedade de exigência do boletim de ocorrência para a realização de um aborto legal em caso de gravidez resultante de estupro.


