Curitiba - As campanhas contrárias à instalação de radares e lombadas eletrônicas, feitas em Curitiba por entidades civis e partidos de oposição logo depois que a prefeitura instalou os equipamentos na cidade, conseguiram marcar a memória da população. Pelo menos é o que indicam os resultados de uma pesquisa nacional feita pelo Instituto Ibope para saber a opinião dos brasileiros a respeito do funcionamento dos radares e sobre a aplicação de multas de trânsito.
A pesquisa ouviu 1,3 mil pessoas, entre motoristas e pedestres, de oito capitais Curitiba, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Distrito Federal e Florianópolis entre 18 e 22 de julho. Usando amostras representativas da população de cada cidade, em Curitiba, foram entrevistados 44 motoristas e 56 pedestres.
Questionados sobre o trânsito após a instalação dos radares eletrônicos, 59% dos curitibanos responderam que achavam que ficou melhor, contra 51% da média nacional. Contraditoriamente, enquanto em âmbito nacional 84% se disseram a favor da instalação dos radares e 12% contra, em Curitiba, o índice favorável caiu para 75% e o índice contrário chegou a 21% dos entrevistados. Na opinião sobre os valores das multas, o curitibano também se mostrou mais insatisfeito. Enquanto 29% dos entrevistados nas outras capitais acham que os valores das multas deve aumentar, só a metade (15%) dos curitibanos aprova o aumento. Sete por cento de Curitiba também consideraram os valores exagerados, contra 3% nas outras capitais.
A pesquisa também mostra a desconfiança do curitibano sobre quem sai ganhando com os radares. Vinte e cinco por cento acham que as empresas proprietárias de radares são as mais beneficiadas, 21% acham que é a prefeitura, 9% o governo estadual e 5% o estadual. Ou seja, 60% acreditam que são as empresas e governo que saem ganhando, contra apenas 15% que acreditam que os beneficiados são os pedestres e 10%, os motoristas. Já a média das outras sete capitais aponta como primeiro beneficiado os pedestres com 21% das opiniões.
''Os radares sempre foram muito criticados, por isso, resolvemos pedir esta pesquisa ao Ibope, e pela primeira vez temos um panorama nacional sobre o assunto'', disse o secretário-executivo da Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito (Abramcet), Silvio Médici, que apresentou o resultado da consulta, ontem, em Curitiba. A entidade reúne 20 empresas de prestação de serviços, representação e venda de equipamentos para monitoração e controle eletrônico de transito.
Os resultados, segundo Médici, serão entregues a todos as autoridades de trânsito. ''A questão do trânsito no Brasil é muito séria'', afirmou, ressaltando que o País gasta por ano U$S 9,6 bilhões em função dos acidentes de trânsito, gerando 50 mil mortes por ano e 750 mil feridos. Após a instalação dos equipamentos eletrônicos, segundo ele, houve uma redução entre 25% a 59% nos acidentes. Em Curitiba essa redução foi de 7%.

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