Pesquisa aponta queda na venda de remédios de marca
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quinta-feira, 19 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Os remédios de marca estão vendendo menos. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF) e Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamentos (Idum). Os dados
extraídos de relatórios da própria indústria, são os acumulados entre maio de 1999 e maio deste ano. Metade dos 300 medicamentos mais consumidos no País sofreu queda de até 34,8% nas vendas. A concorrência com similares e genéricos é responsável pelo fenômeno, afirma o presidente do CRF-DF, Antônio Barbosa.
Mesmo campeões de venda, como o antiinflamatório Cataflam, estão menos populares. De acordo com a pesquisa, o remédio registrou queda de 8,5% nas vendas. Como ainda não havia genérico do produto, a explicação aponta para o consumo dos similares, com preços mais baixos. Já o Renitec, usado para controlar pressão alta, teve suas vendas reduzidas em 30,90%. O genérico do produto foi aprovado em fevereiro deste ano, dando ao consumidor mais essa opção.
Nas farmácias, o consumidor procura pagar mais barato. A aposentada Regina Franco, de 75 anos, chama de genérico o similar do anti-hipertensivo Renitec, o Pressotec, mas a escolha é pelo menor preço. Reclamando que não existem genéricos de todos os remédios que toma, o aposentado Alonso Guzmán, 68 anos, faz a troca sempre que possível.
Como o período da pesquisa é anterior ao acordo de congelamento de preços dos remédios que dura até o fim do ano, o CRF-DF também avaliou os aumentos. A conclusão da pesquisa é que enquanto as vendas caíam, os preços subiam. Na opinião de Barbosa, uma situação de causa e efeito.
O Idum entrega hoje documentos à Polícia Federal, pedindo investigação de fraude em licitação no Rio para compra de ciclosporina - medicamento que combate rejeição em transplantes. Segundo Barbosa, o genérico da ciclosporina ganhou a licitação, mas não foi comprado. O presidente do CRF-DF acusa a Novartis - produtora da ciclosporina de marca - de fazer terrorismo entre pacientes transplantados de que o genérico não é tão bom quanto a marca. O diretor de relações externas e comunicação da Novartis, Branderley Claudio, nega que a empresa adote esse tipo de conduta.


