Pesquisa aponta queda de 8 pontos na avaliação de FHC
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 10 (AE) - A avaliação positiva do presidente Fernando Henrique Cardoso caiu de 27% em janeiro para 19% em fevereiro, de acordo com uma pesquisa divulgada hoje pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e Instituto Vox Populi. Também caiu a confiança da população no governo federal: enquanto em janeiro do ano passado 37% dos entrevistados achavam que a inflação iria ultrapassar os limites suportáveis e 56% apostavam que o desemprego também iria aumentar, hoje 73% têm certeza do aumento da inflação e 80% acreditam que o desemprego só tende ter seus índices aumentados.
"Esse resultado demonstra que o governo demorou para agir em relação à crise, gerando na sociedade uma sensação de ausência de autoridade", acredita o presidente da CNT, Clésio Andrade. "É hora do governo sair do imobilismo e agir com rapidez." A pesquisa foi realizada em 185 municípios, com 2.007 entrevistados, nos dias 28 e 1º.
Desde maio, a CNT e o Vox Populi realizam essas pesquisas mensalmente, medindo o chamado Índice de Satisfação do Cidadão (ISC). Este índice em fevereiro foi o mais baixo desde que a pesquisa começou a ser feita. Numa escala de 0 a 200, em que a média considerada é 120, o ISC de fevereiro foi de 110,17 pontos. Comparado com outubro, quando Fernando Henrique foi reeleito, a queda foi de 8,78 pontos.
A expectativa do brasileiro em sair da crise passa qualquer previsão das cláusulas do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com a pesquisa, 25% acreditam que só em mais de dois anos de luta é que o País retoma a reta do crescimento; 20% acreditam que o tempo pode variar de seis meses até um ano, e 17%, que levará mais de um e até dois anos. Os pessimistas absolutos, que acreditam que o País nunca vai superar a crise, foram12% dos 2.007 entrevistados.
Apesar de toda a insatisfação, não há muita predisposição dos que ganham mais de 20 salários mínimos para colaborar na luta contra a volta da inflação. Numa pergunta direta: "Está disposto a fazer o sacrifício de não ter seu salário reajustado para conter o crescimento da inflação?". O "não" foi de 54%. Curiosamente, quem ganha até um salário mínimo foi mais condescendente e 36% topariam não ter aumento de salário em troca de um dígito de inflação, de preferência zero.
Para o diretor do Vox Populi João Francisco Meira, a relação de menor salário com maior medo da volta da inflação se dá porque é nas camadas mais baixas onde é sentido mais o peso do aumento do custo de vida. Em outro ponto, é demonstrado que, para traduzir essa relação inflação/custo de vida, é no item alimentação que 89% sentiram no bolso a diferença do aumento de preços em fevereiro.
A imunidade parlamentar para processos por crimes comuns é rechaçada por 90% dos entrevistados na pesquisa CNT/Vox Populi.
Apenas 6% dos entrevistados afirmaram que concordam que deputados acusados de crimes como assassinato e latrocínio não possam sofrer processos enquanto execerem os mandatos.
O desejo da maioria dos entrevistados pode virar realidade, caso seja levada à frente a determinação do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de incluir na ordem do dia na próxima semana um projeto que acaba com a imunidade parlamentar para crimes comuns. O projeto determina que, caso a Câmara não conceda licença para o deputado ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 40 dias, o pedido entra obrigatoriamente na pauta.


