Pesquisa aponta que popularidade de FHC volta a cair
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 29 (AE) - A pesquisa do Instituto Vox Populi, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, realizada entre os dias 19 e 21, com 2.006 entrevistados em todo o País, mostra que, após recuperar a popularidade em janeiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a perder pontos frente à avaliação da opinião pública neste mês. Subiu de 43% em janeiro para 49% neste mês o índice dos cidadãos que acham o governo do presidente ruim ou péssimo.
Em contrapartida, o índice dos que avaliam a gestão do governo como regular caiu sete pontos, passando de 40%, em janeiro, para 33%, neste mês, enquanto o porcentual daqueles que avaliam o governo positivamente permaneceu inalterado em 16%.
Para o presidente da CNT, Clésio Andrade, e o diretor do Vox Populi João Francisco Meira, a queda na popularidade presidencial deve-se a três fatores: fim do clima de euforia verificado no fim do ano e que fez com que a rejeição ao presidente caísse de 59%, em dezembro, para 43%, em janeiro; temor ao desemprego, acentuado em janeiro, especialmente na área de comércio, e incerteza quanto ao reajuste do salário mínimo, cujas discussões sinalizam que o não deverá ser tão elevado. "A expectativa com a virada do ano não se refletiu nos números", observou Andrade. Meira explicou que parte dos entrevistados que tinha uma avaliação regular sobre o desempenho do presidente migrou para o universo daqueles que têm uma avaliação negativa. A pesquisa também localiza nas Regiões Nordeste (54%) e Sul (53%) o contingente da população que tem pior avaliação do governo Fernando Henrique, seguidas do Sudeste (48%) e do Norte/Centro-Oeste (37%).
Em compensação, a pesquisa da CNT/Vox Populi registrou melhora na avaliação dos prefeitos e dos governadores nesta rodada. Subiu de 33%, em dezembro, para 35%, neste mês, a avalição positiva dos prefeitos, atingindo a escala mais alta desde fevereiro de 1999. Já a avaliação regular caiu de 38% para 36%, enquanto a negativa subiu 2 pontos, passando de 26% para 28% no mesmo período.
Com relação aos governos estaduais, as indicações positivas superam as negativas em 9 pontos, uma vez que, para 33% dos entrevistados, a atuação dos governadores é positiva, enquanto de acordo com 24% deles, é negativa. A pesquisa também mostra que 45% dos eleitores gostariam que o combate ao desemprego fosse o tema escolhido pelo candidato à prefeitura no qual vai vorar, seguido de educação e saúde, apontado por 24% dos entrevistados.
O Vox Populi também ouviu os entrevistados sobre as próximas eleições presidenciais. Diante de uma simulação aonde foram mantidos os seis eventuais candidatos - Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS), Itamar Franco (sem partido), Antonio Carlos Magalhães (PFL), Anthony Garotinho (PDT) e Mário Covas (PSDB) - o quadro praticamente permanece o mesmo desde novembro, segundo Meira.
Conforme a pesquisa, Lula permanece à frente, com 23% das indicações, um ponto a mais que em janeiro e igual a novembro; Ciro Gomes mantém 19% registrados em janeiro e perde um ponto com relação a janeiro.
Itamar permanece com 10% das indicações, enquanto ACM sobe de 7% para 9% de janeiro para fevereiro, e Garotinho e Covas perdem um ponto, passando de 7% para 6% e de 5% para 4%, respectivamnte, na comporação feita no mesmo período. Também subiu para 29% o índice daqueles que indicaram nenhum/branco ou nulo como opção - 5 pontos a mais que os 24% registrados em janeiro.
Meira explicou que, fazendo uma simulação na qual a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), substitui ACM; o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, entra no lugar de Covas, e o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), no lugar de Itamar, o contingente dos que não escolhem candidato algum sobe para 33%. Nesse quadro
Lula ganha 25% das preferências; Ciro Gomes, 24%; Roseana, 8%; Garotinho, 7%, e Paulo Renato e Barbalho, 2%, respectivamente. "Itamar tira votos de Lula e de Ciro Gomes; se ele sai, seus votos se dividem entre Ciro e Lula", observou Meira.
A pesquisa CNT/Vox Populi também ouviu os entrevistados sobre o grau de satisfação com relação ao Estado onde eles residem e com os serviços que recebem. O índice de satisfação, medido numa escala que varia de 40 a 200 pontos, na qual 120 é a média, atingiu 111,15 pontos, registrando a marca mais alta desde fevereito de 1999.
Também aumentou a satisfação dos entrevistados com o Estado e com o recebimento de serviços - esses dois quesitos receberam 123,14 e 131,57 pontos, respectivamente.
Aproveitando a discussão gerada nos últimos meses sobre o direito ou não de os cidadãos usar armas, o Vox Populi também colheu opiniões sobre esse tema. Mais da metade da população ouvida (60%) se manifestou contra os cidadãos terem armas em casa. A pesquisa também mostra que, para a maior parte dos entrevistados ouvidos pelo Vox Populi (78%), somente a polícia deveria andar armada nas ruas, enquanto para 17% deles, o cidadão comum só poderia possuir arma em casa mediante a concessão de licença especial. Com relação à fabricação de armas no Brasil, a população tem opinião dividida: 54% dos entrevistados acham que a fabricação de armas no País deveria ser proibida porque ajudaria a reduzir os crimes violentos; para 41%, no entanto, a proibição de produzir armas nacionais não ajudaria a diminuir o número de crimes violentos.


