Brasília, 30 (AE) - A confiança da população brasileira no presidente Fernando Henrique Cardoso continua em queda e chegou ao pior nível do governo em setembro. A 18º rodada da pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), divulgada hoje, mostrou que o número dos entrevistados que não confiam em Fernando Henrique subiu de 64%, em julho, para 67%, em setembro. Já a confiança no presidente caiu de 31%, em julho, para 28%, em setembro. Apenas 22% dos entrevistados pela pesquisa acham que a atuação do governo vai melhorar até o fim do mandato, mesmo se o presidente continuar administrando o País da mesma maneira. Os índices de desaprovação e aprovação do presidente e avaliação do governo mantiveram-se, no entanto, inalterados entre julho e setembro.
A 18º rodada da pesquisa CNI/Ibope foi realizada entre os dias 16 e 20 e ouviu 2 mil entrevistados com mais de 16 anos em todo o País. De acordo com os dados da pesquisa, 66% dos entrevistados desaprovam Fernando Henrique, ante uma aprovação de apenas 26%, mesmos números registrados em julho. A avaliação positiva do governo Fernando Henrique também é a mesma de julho. Apenas 16% avaliam a administração do presidente como ótima e boa e 30%, como regular, resultado igual ao de julho. Para 51% dos entrevistados, o governo do presidente é ruim e péssimo contra 53% registrados em julho.
A maioria dos entrevistados considerou que o presidente não consegue manter unidade dentro do governo. Para 37% dos entrevistados, o governo Fernando Henrique não tem unidade porque o presidente não consegue controlar os ministros.
Somente 15% dos entrevistados disseram que o governo tem unidade. A demissão do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Clóvis Carvalho também foi avaliada pela pesquisa CNI/Ibope. As opiniões sobre a decisão do presidente de demitir o ministro ficaram dividadas. Para 33% dos entrevistados
o presidente agiu corretamente ao demitir Carvalho, depois que ele fez críticas em público à atuação do ministro da Fazenda, Pedro Malan. O mesmo número de entrevistados, no entanto, considerou errada a decisão do presidente.
Os entrevistados da pesquisa também foram questionados sobre o perfil do novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, e 35% responderam que ele é adequado. Já 20% disseram que o perfil de Tápias para o cargo não é adequado. O número dos que não responderam à pergunta, pórem, foi muito elevado: 45%. Os maiores índices de aprovação a Tápias estão entre os entrevistados do Norte e Centro-Oeste, os que têm mais de 16 e 24 anos, os mais escolorarizados e os que ganham mais.
O desemprego continua sendo o maior problema para os brasileiros. A preocupação com o desemprego aumentou ainda mais na 18º rodada da pesquisa, passando de 79%, em julho, para 83%.
Depois do desemprego, os maiores problemas do País para os entrevistados são a saúde (50%) e o salário dos trabalhadores (35%). Mesmo com o índice ainda elevado, a preocupação com os salários caiu seis pontos porcentuais de julho para setembro.
Por outro lado, cresceu a preocupação com as drogas e a segurança pública. Na opinião de 38% dos entrevistados, a eduçação foi a única área do governo que apresentou melhoras, desde que o presidente tomou posse no primeiro mandato.
Mesmo com índices desfavoráveis para o governo, o presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, acredita na recuparação da popularidade do presidente até o fim do ano.
Segundo ele, apesar do crescimento da desconfiança da população em relação ao presidente, há indicadores hoje que levarão ao aumento da popularidade. Ele citou o Plano Plurianual de Investimentos (PPA), o pacote de medidas para as micro e pequenas empresas, que será divulgado na terça-feira (05), o reescalonamento da dívida do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o avanço das reformas como fatores que contribuirão para melhora da popularidade do presidente nos próximos três meses. "O fato de os índices de aprovação e desaprovação do presidente terem se mantido estáveis em relação à pesquisa anterior indica a tendência da melhora da sua popularidade", afirmou Ferreira.
O presidente da CNI disse que há um descolamento grande entre a melhora da avaliação dos brasileiros sobre o restante de 1999 - para 59% dos brasileiros, os últimos meses do ano serão melhores, contra 53% que achavam o mesmo em julho - e o crescimento da desconfiança no presidente. Esse descolamento só tende a diminuir, segundo Ferreira. "Em épocas de dificuldade, é comum todo mundo culpar o presidente por tudo", disse ele. "Tem gente que acha que, com uma varinha de condão, o presidente tem condições de mudar a situação", disse. Para ele, quando um governo está em baixa de popularidade, as ações boas não aparecem e a exposição maior fica para as ruins.
A 18º rodada da pesquisa CNI/Ibope revelou também que a maioria dos entrevistados está insensível à possibilidade de queda das taxas dos juros no crediário. De acordo com a pesquisa
60% dos entrevistados não pretedem modificar as comprras em função da queda dos juros no crediário. Apenas, 10% dos entrevistados disseram que pretedem aumentar as compras com novos crediários e 17% afirmaram que vão aumentar as compras a prazo e diminuir as compras à vista, caso os juros diminuam. A insuficiência de renda foi o principal motivo apresentado pelos entrevistados para não aumentar as compras em resposta à queda dos juros no crediário. A grande maioria (47%) respondeu que não vai alterar as compras pela ausência de renda para arcar com novas dívidas.

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