Pesquisa aponta polícia do Rio como a mais violenta do Brasil
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segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Agência Estado 
Rio - Polícia Militar do Rio de Janeiro é a que mais mata civis e a mais denunciada por corrupção, mostra pesquisa feita em cinco Estados brasileiros, entre outubro de 2000 e fevereiro de 2001. Além disso, é a que aplica menos punições administrativas aos seus policiais. A PM de São Paulo está em segundo lugar em mortes e em denúncias sobre violência policial e em terceiro em punições de policiais. O levantamento, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, colheu informações nas Ouvidorias de Polícia do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Pará e de Minas Gerais cinco das nove ouvidorias de polícia do País.
No RJ, a taxa de civis mortos pela Polícia Militar por cem mil habitantes era de 3,5 em 2001, contra 1,6 em São Paulo. No RS, o registro foi de 0,2. No caso do Pará e de Minas Gerais, as ouvidorias não apresentaram dados consolidados.
Em denúncias de corrupção, o RJ teve o maior porcentual de queixas (29,9%), contra apenas 13% em São Paulo. Em violência policial, São Paulo tem a segunda maior proporção de denúncias (25,6%), perdendo apenas para o Pará (32,1%). RJ e MG têm os menores índices de punições de seus policiais - apenas 7,4% das denúncias do RJ resultaram em penalidades, enquanto em Minas Gerais foram 9,6%, em SP, 9,8%, no RS, 15% e no Pará 15,7%.
Pesquisadores da Cândido Mendes fizeram entrevistas com policiais e lideranças comunitárias, além de reunir as denúncias acumuladas nas cinco ouvidorias mais antigas do País - órgãos criados a partir da metade da década de 90, cujo papel é fazer o controle de abusos cometidos pelas polícias.
Minas Gerais é o campeão em reclamações de abuso de autoridade e o Pará, de violência policial. São Paulo e RJ empatam em má qualidade do serviço. O alvo mais frequente das queixas recebidas pelas ouvidorias é a Polícia Civil.
A pesquisa foi divulgada ontem durante uma conferência internacional sobre controle externo da polícia, da qual participaram ouvidores de vários países, como EUA, África do Sul, Portugal e Inglaterra. O norte-americano Merrick Bobb, monitor da polícia de Los Angeles, disse que considera uma ''tragédia'' os números da violência policial no Brasil. ''É uma situação muito grave para todos os lados, tanto para os cidadãos como para os policiais'', afirmou.


