Pesquisa aponta permanência da desigualdade entre brancos e negros
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A população negra brasileira vive um atraso de dez anos em termos de desenvolvimento humano quando comparada à população branca do País. É o que constatou a pesquisa Desenvolvimento Humano para Além das Médias, realizada por pesquisadores do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação João Pinheiro (FJP). O estudo, que desagregou dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em 111 municípios dos 37 estados, foi lançado na quarta-feira (10).
Conforme o coordenador da INCT Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do IPEA, Marco Aurélio Costa, o objetivo da publicação é demonstrar as desigualdades que ainda persistem no País e subsidiar a elaboração de políticas públicas que visem a promoção da igualdade racial, de gênero e das condições entre população urbana e rural, que foram os indicadores desagregados pela equipe.
A questão racial foi uma das desigualdades apontadas. Enquanto os negros chegaram ao IDHM de 0,679 em 2010, os brancos já tinham 0,675 em 2000, tendo evoluído para 0,777 na década seguinte. "Somente em 2010 o IDHM dos negros se aproximou ao IDHM dos brancos observado para o ano 2000, ou seja, o IDHM dos negros levou dez anos para equiparar-se ao IDHM dos brancos", reforçou.
O estudo aponta, por outro lado, que a diferença entre o IDHM de negros e brancos reduziu-se significativamente no período de 2000 a 2010. Em 2000, o IDHM da população branca era 27,1% superior ao IDHM da população negra, ao passo que, em 2010, o IDHM dos brancos passou a ser 14,42% superior ao IDHM dos negros.
A realidade é observada também no Paraná, onde o IDHM dos negros subiu de 0,561 para 0,690 na década analisada, enquanto o índice dos brancos aumentou de 0,672 para 0,773.
RENDA
Em relação às diferenças entre brancos e negros, em 2010 a renda domiciliar per capita média da população branca somava mais que o dobro da população negra: R$ 1.097,00, contra R$ 508,90. Quanto à escolaridade da população adulta, 62% da população branca com mais de 18 anos possuía o fundamental completo, ao passo que 47% da população negra atingiu o mesmo nível. A diferença na esperança de vida ao nascer entre brancos e negros era de dois anos: 75,3 anos e 73,2 anos respectivamente.
"Houve um avanço importante na redução das desigualdades, mas o problema permanece", analisou o pesquisador, destacando que o estudo não buscou identificar as causas das diferenças entre os índices. "Certamente o cenário econômico positivo e as políticas públicas efetivas nos anos 2000 contribuíram para a redução das desigualdades", afirmou.
Ainda não há pesquisas sobre a década atual, mas ele adiantou que o cenário econômico desfavorável "é uma preocupação", visto que pode afetar os indicadores socioeconômicos.
Os dados apresentados, para ele, demonstram que os brasileiros de diferentes raças, sexo e local de moradia estão tendo oportunidades desiguais, o que não é bom para o Brasil como um todo. "Significa que parcelas da população vivem com menos escolaridade, esperança de vida e renda. Não é bom que a sociedade seja tão heterogênea, um país homogêneo resiste melhor às crises", opinou.
MULHERES
O estudo constatou que, em relação às diferenças entre sexos, em 2010 a mulher apresentou renda média no trabalho 28% menor que a dos homens. Enquanto elas ganhavam R$ 1.059,30, em média, eles acumulavam rendimentos de R$ 1.470,73. Por outro lado, as mulheres estudam mais: 56,7% da população feminina com mais de 18 anos têm o ensino fundamental completo, ante 53% dos homens.
"Principalmente na iniciativa privada, o mercado remunera melhor o homem em relação à mulher. É uma questão de discriminação sobre a qual as empresas devem estar atentas", pondera.


