Os franceses voltam às urnas hoje. Desta vez para eleger 1.880 conselheiros nos mais de 26 Conselhos Regionais (4 nos departamentos de ultramar), no primeiro teste nacional desde que aliança entre socialistas, comunistas e verdes, a chamada ‘‘maioria pluralista’’ assumiu o governo francês, em junho do ano passado.
Essas eleições constituem uma espécie de terceiro turno das legislativas do ano passado, tem afirmado o socialista Jack Lang, procurando demonstrar a existência de uma certa lógica majoritária e a expectativa do mesmo resultado favorável do ano passado. A tendência poderá confirmar-se. Basta citar a declaração pessimista de um dos líderes da oposição de direita, Philippe Seguin, segundo a qual ‘‘há risco de uma réplica do tremor de terra das legislativas de 1997’’.
Ao mesmo tempo, os eleitores vão renovar seus representantes nos 2.006 cantões espalhados pelo país. Nesses últimos 20 anos, esses conselhos regionais transformaram-se em verdadeiros feudos dos partidos conservadores. Só nas regiões metropolitanas, os partidos da direita clássica, RPR-UDF, os gaulistas e liberais, controlam 20 das 22 presidências dos Conselhos Regionais.
Participam também dessas eleições - com um grande poder de influência no resultado final, isto é na eleição dos presidentes de regiões -, além das listas apresentadas pelos partidos tradicionais, outras 806 listas locais, das associações de caça, ecologistas dissidentes, extrema esquerda, etc.
Essa situação de desequilíbrio não deverá se perpetuar. Todas as pesquisas de opinião, incluindo um exaustivo estudo preparado pelos prefeitos das regiões a pedido do Ministério do Interior, prevêem um avanço dos partidos de esquerda que poderão obter maioria relativa em 17 das 22 regiões metropolitanas. Isso não quer dizer que vão conquistar a maior parte das presidências desses conselhos, por uma razão muito simples. Mais uma vez, a extrema direita, representada pelo Partido da Frente Nacional - cuja votação deverá oscilar entre 15% e 17% dos votos, o que lhe garantiria a eleição de um bom número de conselheiros regionais em todo o país (ao contrário das legislativas, trata-se de um pleito proporcional e não majoritário) - será o grande árbitro da disputa clássica entre a esquerda e a direita na França. Os partidos conservadores só poderão manter sua posição atual caso concluam um acordo com a Frente Nacional.

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