Pesquisa aponta impacto das condições de trabalho na saúde dos agentes penitenciários
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - Uma profissão que adoece, incapacita e abrevia vidas. O impacto das condições de trabalho sobre a saúde dos agentes penitenciários foi confirmado cientificamente no estudo "Operários do cárcere: diagnóstico sobre a saúde e as condições de trabalho dos agentes penitenciários no Paraná", organizado pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindasrspen) em parceria com entidades das áreas da justiça, segurança, direitos humanos e saúde, e divulgado nesta quinta-feira (10) em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Pelo Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça (Infopen-2015), 3,4 mil agentes penitenciários trabalham nas 35 unidades penitenciárias do Paraná. Desses, mais de 900 participaram da pesquisa, realizada durante três meses. Mais da metade dos entrevistados (66,4%) admitiu acreditar padecer de alguma enfermidade e 46,2% informaram ter doença diagnosticada por um médico ou profissional da saúde. Depressão, ansiedade, pressão alta, estresse, obesidade e problemas para dormir predominam entre as doenças mais comuns entre os agentes que responderam ao questionário. "Se comparada a média das demais profissões exercidas, a média de agentes doentes é maior", avaliou o diretor do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), José Lúcio Santos.
De acordo com a pesquisa, 80,9% dos agentes entrevistados se declararam cansados física e mentalmente por conta da rotina de trabalho. "Tamanho desgaste leva muitos agentes a serem aposentados por invalidez ou morrerem precocemente, não só por morte violenta, e a pesquisa mostra que 25,1% se sentem ameaçados, mas também por morte natural, dado o envelhecimento precoce diante de uma atividade desgastante e sem status para a sociedade em geral", observou a presidente do Sindarspen, Petruska Niclevisk Sviercoski . "Toda semana sabemos de algum agente que morreu logo após se aposentar ou esperando a aposentadoria. A nossa expectativa de vida é de fato encurtada por infartos em pessoas na faixa dos 40 anos. Um estudo mostrou que, na média, a expectativa de vida do agente paulista é de 45 anos e a nossa não parece ser muito diferente disso."
"O agente penitenciário padece do que definimos como contágio social, que é quase uma condenação por estar do lado de dentro de um sistema que não recupera ninguém e adoece quem está lá para trabalhar. O estudo reforça a urgência de se repensar e requalificar o sistema carcerário brasileiro", argumentou a pesquisadora do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Samara Feitosa.

PRÓXIMOS PASSOS
Da parte do Sindarspen, o próximo passo é "deixar o poder público sem saída, a fim de que ele traga soluções". Nesse sentido, o promotor do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção aos Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná, Régis Sartori, informou que há um trabalho em andamento. "Instauramos um procedimento para analisar tais informações e as reivindicações da categoria de maneira a evitar a judicialização e tentar implementar melhorias pela via administrativa", explicou. Procurado pela FOLHA, o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) afirmou que irá se pronunciar posteriormente, após uma análise técnica da pesquisa por parte dos setores responsáveis.


