Pesquisa aponta evasão de 45,5% no Paraná
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Londrina- O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou ontem um estudo que aponta evasão escolar de 45,5% no Ensino Médio do Paraná. Na Região Sul, o número se equipara ao apresentado por Santa Catarina (45,5%) e é pior que o do Rio Grande do Sul, que apresentou 44,8% de evasão escolar. O estudo mede a presença do Estado no Brasil: federação, suas unidades e municipalidades e no quesito Educação analisa a frequência líquida nos estabelecimentos de ensino da população residente. O Ipea utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2009 feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os alunos de 6 a 14 anos no Ensino Fundamental a frequência registrada foi de 92,9%, mas esse índice cai para 54,5% quando são analisados dados relacionados ao Ensino Médio. Segundo o levantamento, o Paraná possui 9.029 escolas em atividade, sendo 7.730 estabelecimentos de ensino público, 5.452 são do Ensino Fundamental em atividade, 1.641 são do Ensino Médio em atividade e 178 são estabelecimentos do Ensino Superior, dos quais 22 são públicos.
Segundo a professora de pedagogia da Universidade Estadual de Londrina, Adriana Regina de Jesus, doutora em Educação e diretora do Colégio de Aplicação da UEL, as escolas do Ensino Médio já não atendem mais as necessidades dos alunos do Ensino Médio. ''Os alunos de agora são diferenciados, pois possuem contato direto com a tecnologia e são conhecidos entre os pedagogos como nativos digitais'', afirma.
Adriana aponta que eles possuem acesso direto à tecnologia e a escola já não está conseguindo acompanhar o ritmo. Segundo a pedagoga, a forma como acontece o ensino hoje precisa ser revista. ''Precisamos rever a política pedagógica, os critérios de avaliação e discutir a qualidade do ensino'', aponta.
Ela avalia que o Ensino Médio já não prepara o aluno para o vestibular e também não forma pessoas para o mercado de trabalho e muitos estudantes não veem a necessidade de dar continuidade aos estudos. ''Precisamos deixar claro as funções e os objetivos da escola para os alunos, pois o conceito atual é medieval e precisamos resignificar a prática, o currículo e a política pedagógica'', destaca.
Ela ressalta que nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro a UEL abrigará o 1º Congresso Nacional dos Colégios de Aplicação e 1 Mostra de Práticas de Ensino de Estágios do Pibid (projeto governamental de iniciação à docência) e Prodocência (projeto governamental de formação continuada dos docentes) justamente para discutir essas questões. ''Durante o evento teremos a presença dos colégios de aplicação de cidades como Viçosa (MG), que ficou em primeiro lugar no Exame Nacional do Ensino Médio e também de colégios de aplicação de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro'', relata a professora. Ela explica que durante o congresso será possível comparar as práticas pedagógicas que deram certo nos outros estados e também será possível expor o que tem dado certo em Londrina.
''A minha aposta para melhorar o Ensino Médio é a formação continuada dos professores em parceria com as universidades. Os resultados aparecem.'', garante a professora.


