Pesquisa abrangente será realizada em 2013
Wellington Pantaleão, coordenador do Comitê de Acompanhamento da Política Nacional para a População de Rua, explica que a pesquisa que será realizada pelo IBGE, além de contabilizar os brasileiros que vivem nessa condição, vai levantar informações sobre outros aspectos: desde os motivos que levaram essas pessoas às ruas até as maiores necessidades desse público.
Dentro dos próximos meses, a SDH vai publicar uma portaria para designar um grupo de trabalho, que terá o objetivo de coletar informações sobre populações de rua junto a ministérios, universidades e outras entidades. Esses dados serão repassados ao IBGE, que então irá definir a metodologia da pesquisa.
''Também estamos trabalhando para levantar recursos para a pesquisa e elaborando um termo de cooperação técnica com o IBGE'', diz Pantaleão. Segundo o coordenador, uma pesquisa-teste deve ser aplicada entre o final deste ano e o começo de 2013. No ano que vem, deve ser realizado o levantamento completo. ''A tendência é que seja aplicado em cidades com mais de 200 mil habitantes'', afirma Pantaleão.
O coordenador explica que alguns aspectos terão de ser contemplados na pesquisa. ''Essa população está acostumada a abordagens agressivas, violentas, autoritárias. Eles agem em redes e se protegem. Para romper essa bolha de medo, temos que criar mecanismos de aproximação eficientes'', explica. ''Outro fator é a natureza itinerante dessa população. Uma coisa é fazer uma pesquisa indo de casa em casa. Outra é entrevistar uma pessoa na rua, e de repente cinco dias depois ela estar em outro ponto e ser abordada por outro pesquisador. Essa itinerância tem de ser considerada para que não haja distorções nos dados.''
Pantaleão acredita que a pesquisa será útil para a criação e o aperfeiçoamento de políticas públicas para a população de rua. ''Por exemplo: de repente a pesquisa pode indicar que no Nordeste seria mais eficiente criar mais Centros POP (Centros de Referência Especializados para a População em Situação de Rua) no interior do Estado do que nas capitais'', afirma o coordenador.
Antes dessa pesquisa, o levantamento nacional mais abrangente sobre populações de rua havia sido realizado entre 2007 e 2008, pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), quando foi feita uma contagem de moradores de rua em 71 municípios brasileiros - 23 capitais e 48 cidades com mais de 300 mil habitantes. Os moradores de rua nesses municípios representaram 0,061% da população total das cidades pesquisadas.
A pesquisa foi aplicada nos três maiores municípios paranaenses, Curitiba, onde foram contabilizadas 2.776 pessoas em situação de rua, Londrina (296 pessoas) e Maringá (226). Enquanto nas duas cidades nortistas a proporção foi parecida com o índice nacional (0,059% da população em Londrina e 0,069% em Maringá), na Capital ela representou mais do que o dobro, correspondendo a 0,154% do total de habitantes. (F.G.)





