O jaborandi é conhecido por suas propriedades cosméticas, mas também pode ser utilizado para resolver um incômodo que ainda não tinha solução - a xerostomia ou secura de boca. O uso de um gel feito a partir da planta é resultado de uma pesquisa desenvolvida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), coordenada pela professora Ana Maria Trindade Grégio, de Curitiba.
A pesquisadora explica que a secura de boca é causada pela atrofia das glândulas salivares, amplamente distribuídas na cavidade bucal. O problema da hipossalivação é comum em pacientes usuários de drogas psicotrópicas, como antidepressivos, em pacientes que passaram por radioterapia na região da cabeça e do pescoço, e em pessoas com algumas patologias, entre elas diabetes.
Outra causa são medicamentos - mais de 200 tipos - que podem agir sobre o estímulo nervoso nas glândulas e impedir a secreção salivar de ser liberada. Além do incômodo, Ana observa que a falta de saliva na boca pode causar candidíase bucal, cáries, doenças gengivais e infecções nas glândulas salivares.
O tratamento, segundo ela, sempre foi paliativo - com uso de protetor labial rico em lanolina para manter os lábios hidratados, uso de saliva artificial, hidratação constante com água, e uso de bebidas cítricas e do tipo diet, para estimular a secreção salivar.
O grupo de pesquisa do qual Ana participa utiliza plantas medicinais e produtos naturais na odontologia, e a opção por estudar o jaborandi foi por sua ação no sistema nervoso autônomo. ''Esta planta tem ação colinomimética. Isso significa que ela estimula o sistema nervoso autônomo na via colinérgica que inerva as glândulas salivares e estimula a liberação da secreção salivar'', explica.
Mas, o desafio, ressalta a pesquisadora, era desenvolver um produto que agisse só nas glândulas salivares, sem efeito em outros tipos de secreções, como suor, lágrimas, urina e fezes.
O gel é feito a partir do jaborandi, do qual é extraído um alcalóide, e é o primeiro medicamento de uso tópico para o tratamento da doença. ''A formulação possui um valor acessível, é de fácil aplicação e sem efeitos colaterais'', ressalta. O produto, segundo ela, ''está sob registro e proteção de patente'', e poderá ser fabricado comercialmente. ''No momento, há negociação com laboratórios farmacêuticos'', afirma.

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