Clarissa Thomé
Agência Estado
Pescadores prejudicados pelo vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo fizeram ontem manifestação na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Pelo menos 50 embarcações com faixas de protesto impediram por 15 minutos a saída das barcas do trajeto Rio–Niterói, navegaram até o Aeroporto Santos Dumont e retornaram para Niterói. Eles pedem à União indenização de R$ 105,7 milhões pelos prejuízos. ‘‘Não estamos vivendo um pequeno acidente, mas um desastre que será sentido ao longo do tempo’’, afirmou o presidente da Federação dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro (Feperj), José Maria Pugas.
A federação entrou com ação na 15ª Vara Cível Federal pedindo indenização de R$ 102 milhões por lucros cessantes e R$ 3,7 milhões por prejuízo com redes, barcos e equipamentos de pesca. ‘‘Estamos deixando de vender 50 toneladas de pescado por dia e ficaremos pelo menos quatro anos sem poder trabalhar na baía’’, calcula Pugas.
De acordo com o presidente da federação, metade dos 20 mil pescadores das cinco colônias afetadas pelo óleo que vazou do duto da Petrobras garantia o sustento na baía, pois seus barcos não têm condições para navegar em alto mar. O dinheiro da indenização seria usado para reequipar as embarcações e treinar os pescadores para o trabalho fora da baía. ‘‘Somos pescadores, nossos pais e avós eram pescadores, não sabemos fazer outra coisa’’, afirmou Pugas.
Os pescadores se queixam ainda das cestas básicas distribuídas pela Petrobras, que seriam insuficientes para alimentar as famílias e estariam sendo entregues a pessoas que se fazem passar por pescadores. ‘‘A Petrobras quis fazer o cadastramento de forma atabalhoada, não procurou a Federação’’, afirmou o presidente.
A governadora em exercício do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, acatou a reclamação dos pescadores e disse que não reconhece o cadastramento feito pela Petrobras. Segundo Benedita, as secretarias de Agricultura e Trabalho vão relacionar os pescadores e calcular o prejuízo deles.
Indenizações O superintendente de Exploração e
Produção da Petrobras, Rodolfo Landim, afirmou ontem que as indenizações começarão a ser pagas aos pescadores a partir de amanhã. Desde que ocorreu o vazamento de 1,3 milhões de litros de óleo, no dia 18, a venda de pescado no Mercado São Pedro (um dos maiores entrepostos do Estado, em Niterói) caiu 70%, segundo estimativa de Pugas. Feiras livres, supermercados e peixarias deixaram de adquirir o peixe. ‘‘Entendemos que a população tem de se precaver, mas precisamos de uma solução emergencial’’, afirmou.

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