Rio, 31 (AE) - Pescadores prejudicados pelo vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo fizeram hoje manifestação na Baía de Guanabara. Pelo menos 50 embarcações com faixas de protesto impediram por 15 minutos a saída das barcas do trajeto Rio-Niterói, navegaram até o Aeroporto Santos Dumont e retornaram para Niterói. Eles pedem à União indenização de R$ 105,7 milhões pelos prejuízos. "Não estamos vivendo um pequeno acidente, mas um desastre que será sentido ao longo do tempo", afirmou o presidente da Federação dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro (Feperj), José Maria Pugas.
A federação entrou com ação na 15ª Vara Cível Federal pedindo indenização de R$ 102 milhões por lucros cessantes e R$ 3,7 milhões por prejuízo com redes, barcos e equipamentos de pesca. "Estamos deixando de vender 50 toneladas de pescado por dia e ficaremos pelo menos quatro anos sem poder trabalhar na baía", calcula Pugas.
De acordo com o presidente da federação, metade dos 20 mil pescadores das cinco colônias afetadas pelo óleo que vazou do duto da Petrobras garantia o sustento na baía, pois seus barcos não têm condições para navegar em alto mar. O dinheiro da indenização seria usado para reequipar as embarcações e treinar os pescadores para o trabalho fora da baía. "Somos pescadores, nossos pais e avós eram pescadores, não sabemos fazer outra coisa", afirmou Pugas.
Cestas básicas - Os pescadores se queixam ainda das cestas básicas distribuídas pela Petrobras, que seriam insuficientes para alimentar as famílias e estariam sendo entregues a pessoas que se fazem passar por pescadores. "A Petrobras quis fazer o cadastramento de forma atabalhoada, não procurou a Federação", afirmou o presidente.
A governadora em exercício do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, acatou a reclamação dos pescadores e disse que não reconhece o cadastramento feito pela Petrobras. Segundo Benedita
as secretarias de Agricultura e Trabalho vão relacionar os pescadores e calcular o prejuízo deles.
Indenizações - O superintendente de Exploração e Produção da Petrobras, Rodolfo Landim, afirmou que as indenizações começarão a ser pagas aos pescadores a partir de quarta-feira (02). Desde que ocorreu o vazamento de 1,3 milhões de litros de óleo, no dia 18, a venda de pescado no Mercado São Pedro (um dos maiores entrepostos do Estado, em Niterói) caiu 70%, segundo estimativa de Pugas. Feiras livres, supermercados e peixarias deixaram de adquirir o peixe. "Entendemos que a população tem de se precaver, mas precisamos de uma solução emergencial", afirmou.

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