Rio, 20 (AE) - Cerca de 350 pescadores do município de Magé fizeram um protesto hoje, em frente ao edifício-sede da Petrobras, no Rio, contra a estatal, que teria deixado de pagar as indenizações às pessoas afetadas pelo vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, em 18 de janeiro. A empresa alegou que encerrou o pagamento da ajuda de custo no último dia 15 porque a pesca na baía foi liberada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) há um mês.
De acordo com nota oficial distribuída pela Petrobras, a liberação da pesca foi feita com base em laudos do Ibama e do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), segundo os quais o nível de poluição na baía estava igual ao de antes do acidente. Ambos atestaram a qualidade sanitária dos peixes.
"Os pescados estão cheios de óleo", garantiu o representante dos pescadores Romildo Soares de Oliveira. "Ninguém quer comprar peixe desse jeito." Como não podem garantir seu sustento, os pescadores pedem à empresa que continue pagando a ajuda de custo.
Os pescadores chegaram à sede da estatal por volta das 6h. Um grupo de representantes das comunidades de Magé tentou ser recebido pelos diretores da empresa, mas seu acesso ao prédio foi impedido. Revoltados, os pescadores chegaram a fechar a avenida Chile duas vezes, provocando um enorme congestionamento no centro da cidade. Para desobstruir a via, a polícia acionou o Batalhão de Choque. Adriana da Silva Lopes, de 18 anos, passou mal e desmaiou. O pescador Juliano Rossi de Sousa, de 21 anos, foi preso por desacato à autoridade.
Por volta das 12h, os pescadores seguiram para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde foram recebidos pelo deputado Carlos Dias (PST), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será instalada na próxima quarta-feira para apurar as causas e as consequências do derramamento de 1,3 milhão de litros de óleo na baía."Vamos chamar para depor, já na próxima semana, representantes dos pescadores e os funcionários da Petrobras responsáveis pelo pagamento das indenizações", disse Dias.

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