Pescadores podem ter pagamento extra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 1999
Dimitri do Valle 
O deputado federal Luciano Pizatto (PFL) encaminhou ontem ao Ministério do Meio Ambiente um pedido de pagamento de um salário mínimo aos pescadores do litoral paranaense que estão impedidos de trabalhar por causa da epidemia de cólera. A doença já contaminou 450 pessoas (conforme o boletim oficial de ontem) e chegou a provocar uma queda de 90% no comércio de peixes e frutos do mar. Ontem foram registrados 13 novos casos, 11 pessoas permanecem internadas e 436 pessoas que tiveram a doença foram consideradas curadas.
Pizatto enviou correspondência ao ministro José Sarney Filho (Meio Ambiente) para que o período de defeso em Paranaguá também fosse reavaliado. O parlamentar sustenta que as atividades de pesca não podem ser paralisadas por três meses, já que o período de defeso varia de acordo com cada região.
Numa tentativa de reativar as vendas de pescados em Paranaguá, o prefeito Mário Roque promove hoje um jantar regado a peixe no Mercado Municipal. Segundo a Secretaria de Comunicação Social do governo, o objetivo é mostrar que Paranaguá e os demais municípios do litoral têm a cólera sob controle epidemiológico e podem ser visitados pelos turistas.
O médico Renê Santos, da Secretaria de Estado da Saúde, assegurou ontem que a epidemia está diminuindo. A curva da doença aponta uma tendência de queda, acentuando-se a partir de segunda-feira, disse Renê.
Depois de Paranaguá, a campanha Fora Cóleracontinua hoje nas seis cidades que compõem o litoral paranaense. Cerca de 750 pessoas vão distribuir informações sobre métodos de combate a doença nos municípios de Pontal do Paraná e Guaraqueçaba. Amanhã, o mutirão está previsto para ocorrer em Antonina e Morretes. No sábado, Matinhos e Guaratuba serão alvos da operação. Com o auxílio da Defesa Civil do Estado, pessoas que apresentarem sintomas de cólera serão levadas para atendimento médico.
Em Curitiba, a Secretaria Municipal de Saúde descartou ontem a possibilidade de contaminação pelo vibrião colérico em 69 pessoas. Ao todo, foram registrados 76 casos de diarréia. Os sete casos restantes ainda estão sendo analisados em laboratório.
A Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento planeja aplicar um programa de depuração de ostras e mexilhões, alimentos que podem armazenar o vibrião colérico. A técnica aplicada nos tanques de cultivo resultaria na certificação do produto, indicado para consumo humano.
De acordo com o técnico da secretaria e chefe do escritório regional de Paranaguá, José de Assis Cordoni, a tecnologia que será aplicada não oferecerá condições de sobrevivência para o vibrião da cólera. Nos tanques que serão instalados, os moluscos passarão por uma depuração natural, com água corrente salgada e esterilizada. Se houver a presença de alguma bactéria, o próprio organismo do animal se encarregará de fazer a depuração natural.


