Curitiba - Conhecedores dos ventos, luas e marés, pescadores artesanais do Litoral mergulharam ontem pela primeira vez, num curso que irá capacitá-los para o cultivo de vieiras a cerca de 10 metros de profundidade. A proposta é melhorar a renda dos pescadores. Essa espécie de mexilhão, que se tornou conhecida como o símbolo da Shell, tem carne saborosa que vale US$ 21 o quilo no mercado internacional.
O biólogo Ariel Scheffer da Silva, do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), um dos responsáveis técnicos do projeto de maricultura, explica que a capacitação dos pescadores está sendo feita em duas etapas. Na primeira, um grupo de 15 pescadores participou de um curso de cultivo com uma professora do Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía de Ilha Grande (RJ), que é pioneiro na cultura dos filhotes da vieira. Esta etapa durou uma semana e foi realizada em Guaratuba, no Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Puc-PR).
A segunda etapa do treinamento está sendo realizada esta semana. Depois de aulas teóricas e de treinos em piscina, ontem o grupo mergulhou no mar pela primeira vez. Dois pescadores têm mais de 60 anos e nunca haviam ''visto o mar por baixo'', contaram ao pesquisador. Um deles tem um neto de 21 anos participando do treinamento também. A escola de Curitiba Scubasul é responsável pelas aulas de mergulho. Os pescadores estarão aptos a mergulhar até 15 metros de profundidade, amarrados aos barcos e recebendo oxigênio da superfície.
Cerca de 5 mil filhotes de vieira, ou sementes como são chamados, chegarão daqui a dois meses e serão implantados pelos pescadores em caixas de cultivo nos recifes artificiais do Centro de Estudos do Mar, em Pontal do Sul. Os pescadores terão que fazer mergulhos de inspeção pelo menos uma vez por semana, para limpar e manter as caixas amarradas. Dois técnicos estarão participando das inspeções para medir as vieiras acompanhando científico do crescimento delas. A primeira colheita não poderá ser vendida, pois o projeto prevê que as vieiras sirvam para a divulgação da cultura, sendo servidas em jantares promocionais, inclusive na própria comunidade de pescadores.
Segundo Scheffer, não há estudos de viabilidade econômica, mas no Rio de Janeiro a experiência tem dado certo, assim como em vários países já existe esse tipo de cultivo. ''Tem tudo para dar certo. Temos águas limpas, com bastante alimento natural'', explica. Por enquanto, os pescadores têm autorização de pesquisa, para só depois conseguirem a autorização de cultivo.
O projeto é financiado pelo governo do Estado, através do programa Paraná 12 Meses, que destinou R$ 57 mil para a compra de equipamentos e contratação de técnicos, em parceria com o Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Associação dos Pescadores de Pontal do Paraná. Depois do projeto piloto, os equipamentos de mergulho ficarão com a associação de pescadores, que terá que conseguir recursos somente para a compra de novas sementes para continuar a cultura com fins comerciais.

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