Cerca de 20 embarcações participaram ontem pela manhã de uma ‘‘canoata’’ pelo Rio Capibaribe, que corta o Recife, para chamar atenção da sociedade e do poder público para o alto grau de poluição do rio e a necessidade de cuidados para a sua preservação. O evento marcou o Dia Mundial da Água, no Recife.
A ‘‘canoata’’ fez um percurso do centro ao Bairro de Casa Forte, passando por sete pontes onde alunos de escolas públicas e particulares saudaram as embarcações com bolas e fogos. Os barcos e canoas, pertencentes a pescadores de comunidades pobres das margens do Capibaribe, levaram faixas com poemas de João Cabral de Melo Neto, que cantou o rio em sua obra, e pedidos de despoluição.
‘‘O Capibaribe tem grande importância para o Recife e é um cartão postal da cidade’’, afirmou a organizadora da manifestação, a educadora ambiental Heloísa Helena Assunção, do Espaco Ciência, ligado à Secretaria estadual de Tecnologia e Meio Ambiente. ‘‘Não se pode condená-lo à morte’’. De acordo com o diretor regional da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), Marcelo Cauás Asfora, o Capibaribe tem 270 quilômetros de extensão e recebe resíduos industriais e o lançamento de esgoto de todos os municípios que margeia ou corta, inclusive a capital. Ele frisou que apenas 20% das moradias da região metropolitana são atendidas pela rede de coleta de esgoto.
Economia O governo do Estado vai lançar uma campanha em São Paulo pedindo que a população use água de maneira mais racional. A informação foi dada ontem pelo secretário estadual de Recursos Hídricos, Antonio Carlos Thame. Ele reconheceu que essa medida deveria ser tomada permanentemente por causa do alto consumo registrado na região metropolitana de São Paulo. A média de consumo na área é entre 180 a 200 litros de água por dia, quando o ideal seria um gasto entre 100 e 120 litros/dia, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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