Agência Estado
Do Rio de Janeiro
Cerca de 350 pescadores do município de Magé fizeram um protesto ontem, em frente ao edifício-sede da Petrobras, no Rio, contra a estatal, que teria deixado de pagar as indenizações às pessoas afetadas pelo vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, em 18 de janeiro. A empresa alegou que encerrou o pagamento da ajuda de custo no último dia 15 porque a pesca na baía foi liberada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) há um mês.
De acordo com nota oficial distribuída pela Petrobras, a liberação da pesca foi feita com base em laudos do Ibama e do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), segundo os quais o nível de poluição na baía estava igual ao de antes do acidente. Ambos atestaram a qualidade sanitária dos peixes.
‘‘Os pescados estão cheios de óleo’’, garantiu o representante dos pescadores Romildo Soares de Oliveira. ‘‘Ninguém quer comprar peixe desse jeito.’’ Como não podem garantir seu sustento, os pescadores pedem à empresa que continue pagando a ajuda de custo.
Os pescadores chegaram à sede da estatal por volta das 6 horas. Um grupo de representantes das comunidades de Magé tentou ser recebido pelos diretores da empresa, mas seu acesso ao prédio foi impedido. Revoltados, os pescadores chegaram a fechar a avenida Chile duas vezes, provocando um enorme congestionamento no centro da cidade. Para desobstruir a via, a polícia acionou o Batalhão de Choque. Adriana da Silva Lopes, de 18 anos, passou mal e desmaiou. O pescador Juliano Rossi de Sousa, de 21 anos, foi preso por desacato à autoridade.
Por volta das 12 horas, os pescadores seguiram para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde foram recebidos pelo deputado Carlos Dias (PST), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será instalada amanhã para apurar as causas e as consequências do derramamento de óleo na baía.

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